Sam Humphries e o futuro do universo dos Lanternas Verdes

Com vinte e cinco edições publicadas no comando da revista Lanternas Verdes, Sam Humphries vem ganhado muitos elogios, tanto de público quanto da crítica, com suas histórias super-heroicas humanizadas. O roteirista americano de 40 anos se tornou uma das grandes surpresas da DC Comics com a revista que estrela os novatos Simon Baz e Jessica Cruz. Com sua premissa de “um Máquina Mortífera no espaço”, ele chamou muito a atenção dos leitores de quadrinhos que queriam um ar fresco para o universo dos Lanternas Verdes.

Eventos cataclísmicos ocorrendo nos mais longínquos cantos do Universo e viagens no tempo tornaram os heróis da Tropa dos Lanternas Verdes muito distantes de seu objetivo principal: proteger seu setor espacial. Com aventuras focadas na Terra e nas dificuldades de dois desconhecidos bastante diferentes um do outro serem forçados a trabalhar juntos, Lanternas Verdes acertou em cheio, trazendo a premissa básica dos patrulheiros espaciais de volta. Em entrevista ao CBR, Sam Humphries falou um pouco sobre o começo de seu projeto com os Lanternas Verdes e o que podemos esperar da dupla espacial no futuro.

Em retrospectiva sobre seu primeiro ano no comando da revista, o autor se mostrou muito feliz pelo sucesso que Simon e Jessica se tornaram perante o público leitor de quadrinhos, principalmente pelo sucesso de vendas, com a revista esgotando nas comic shops americanas – uma segunda tiragem das edições ser necessária para suprir a demanda. “Tivemos os Lanternas Fantasmas, que durou seis edições no total, depois passamos imediatamente para um one-shot com Jessica lutando contra sua ansiedade. Eu acho que essa é a arma da linha Rebirth. Somos capazes de contar uma variedade de histórias em uma velocidade bastante rápida [a revista sai duas vezes por mês nos EUA], e isso cria uma experiência muito mais variada [para os leitores]”, comentou Humphries sobre o desenrolar da revista.

Desde que Jessica Cruz apareceu pela primeira vez, a personagem chamou bastante a atenção dos leitores, principalmente pela personagem possuir características que muitos poderiam considerar “falhas”. Sua relutância em sair de casa e se relacionar com outras pessoas, ataques de ansiedade e agorafobia. Mesmo sofrendo com tudo isso, a personagem se ergueu como uma Lanterna Verde em constante evolução e, para Humphries, a personagem conquistar os leitores é “imensamente reconfortante”. Inclusive, o autor revelou que usou seu próprio histórico pessoal com transtornos de ansiedade para poder escrever a personagem: “As pessoas não responderam à ela [Jessica Cruz] como uma personagem, pessoas como a mim mesmo que lutam contra a ansiedade podem ver a si mesmos nela e encontrar coragem ao ver alguém que sofre o mesmo que eles, mas com um anel de Lanterna Verde”.

Não só Jessica Cruz, mas seu companheiro de batalha, Simon Baz, também se mostrou um personagem em constante evolução na revista. Apesar de previamente já ter aparecido na revista do Lanterna Verde durante Os Novos 52, Baz teve pouco desenvolvimento até estrelar Lanternas Verdes – com aparições esporádicas em outras revistas como Lanterna Verde: Novos Guardiões e Lanternas Vermelhos. Ao lado de Jessica, Simon vem ganhando mais e mais desenvolvimento em sua personalidade e mostrando-se um personagem digno de portar a arma mais poderosa do Universo DC. “Eu amo escrever Simon, adoro mergulhar na cabeça dele”, comentou Humphries. “Adoro explorar as fraquezas e pontos cegos que ele possui [..] um desses momentos foi lidar com sua mãe, outro foi no arco de Gotham, onde ele trabalhou com Batman e teve realmente que lidar com as consequências de portar uma arma”.

“A partir da edição #25, Simon e Jessica começarão sua verdadeira jornada. As primeiras vinte e quatro edições foram bem fincadas na Terra mas, sabe como é, eles são Lanternas Verdes e isso é uma aventura super-heroica policial espacial de ciência-ficção. Não vamos apenas levá-los aos pontos mais distantes do Universo, nós vamos levá-los aos limites do tempo”, explicou Humphries.

“Antes dessa aventura de Simon e Jessica começar, eu vou explorar um desses pontos cegos dele [Simon] e suas fraquezas emocionais e pessoais. Para poder fazer isso […] decidi que vamos destruir o anel dele. Volthoom, o grande lobo mal que estamos construindo, destrói o anel de Simon, e quase imediatamente a isso, Simon e Jessica são arrancados do tempo e espaço, sendo enviados dez bilhões de anos no passado”, revelou o autor. “Eles não estarão apenas longe da Terra, nem longe no espaço, mas dez bilhões de anos no passado e Simon estará sem seu anel durante a aventura inteira”.

Com esse clímax que vem sido construído até então para os dois personagens, o escritor afirma que a possibilidade de poder explorar um passado tão longínquo da mitologia dos Lanternas Verdes não o intimida. “Os Lanternas Verdes têm tanta mitologia já escrita por tantos escritores fantásticos, mas isso nunca me intimidou. Para mim, sempre pareceu uma oportunidade. […] há muitas revistas do Lanterna Verde publicadas, mas nem de perto o suficiente para cobrir dez bilhões de anos!”, revelou.

“Há muitos buracos na história e sim, eu olhei e vi uma oportunidade. O que aconteceu dez bilhões de anos atrás? Nós vimos Crona, nós vimos Volthoom, o que aconteceu imediatamente depois disso? Volthoom foi o primeiro Lanterna, como isso aconteceu? Nós sabemos que Volthoom foi aprisionado pelos Guardiões, como e por quê isso aconteceu? E se ele foi o primeiro Lanterna, quem conseguiu derrotá-lo? O que vamos ver é que os sete primeiros Lanternas Verdes foram na verdade criados para deter Volthoom quando ele enlouqueceu”, complementa Humphries. “Uma das partes mais divertidas nisso é poder criar esses sete novos Lanternas – novos personagens, que serão os primeiros Lanternas Verdes da história – mas também puxar elementos da própria história da DC, puxar elementos disso e olhar através de lentes de dez bilhões de anos no passado”.

Nas edições #23 e #24 foram introduzidos quatro dos sete primeiros Lanternas: Alitha, do Terceiro Mundo, que é anterior ao Quarto Mundo dos deuses criados por Jack Kirby; Z’kran, que é uma Marciana Branca, Tyran’r de Tamaran, planeta natal da Estelar e Kaja Dox, que é de Yod-Colu, planeta natal de Brainiac 5 da Legião dos Super-Heróis. Para Humphries, poder explorar tais mundos já conhecidos da mitologia do Universo DC, sob a ótica de um passado tão distante é uma das partes mais divertidas para ele como escritor. “Eu quis explorar Tamaran porque é um planeta com muito potencial, e eu queria imaginar como era dez bilhões de anos atrás. Tamaran especificamente, através dos olhos de Marv Wolfman e George Pérez [criadores da Estelar], sempre foi aquela utopia sci-fi, mas não poderia ter sido sempre daquele jeito. E ao mesmo tempo, eles tinham uma cultura guerreira, então eu lhes agreguei uma pegada sci-fi mais bárbara”, explicou.

“Com todos esses sete novos personagens, eu quero que eles tenham suas próprias histórias e que essas histórias tenham tons diferentes. Enquanto Tyran’r é uma história mais de espada-e-magia, Kaja Dox é quase um quadrinho auto-biográfico. Ela tem um emprego, um gato, namorada, uma mãe que não larga do seu pé, é frustrada com seu trabalho mas ama sua vida, e tem que dar um jeito de pagar o aluguel. Logo num momento crítico de sua vida, um anel atravessa sua janela. É quase como um momento Alice no País das Maravilhas ou O Mágico de Oz, quando a vida real se torna louca demais, algo aterrissa na sua frente e você não consegue descrever, apenas deixar-se levar”.

Depois de tantas revelações, o que mais podemos esperar do autor no futuro? “Há muita coisa acontecendo, mas nada do que eu possa falar no momento. Há meu crossover Legião dos Super-Heróis/Pernalonga, que é uma das melhores coisas que já escrevi. Adorei escrevê-lo, sou grande fã do Pernalonga e grande fã da Legião, então poder trabalhar nesse crossover foi como um sonho”, revelou o escritor. “Em agosto haverá as edições especiais do aniversário de 100 anos de Jack Kirby. Eu fui afortunado de poder escrever uma história de seis páginas do Etrigan, sou duplamente afortunado por ter Steve Rude [desenhista veterano da editora cujo trabalho mais recente foi Antes de Watchmen: Dollar Bill], portanto será muito, muito legal!”, finalizou.

O título Lanternas Verdes está sendo atualmente publicado pela editora Panini no Brasil e já está na edição #3.

  • O Homem do QI200

    Essa HQ tava muito boa mesmo, até onde estava lendo, mas quando saiu do HQUltimate, eu deixei essa de lado, preciso voltar a por em dia.