[REVIEW] Wonder Woman: Rebirth #1

O título da Mulher Maravilha n’Os Novos 52, sem dúvida, foi uma das melhores histórias que a personagem já teve nos últimos anos. Todo o run escrito por Brian Azzarello e desenhado magistralmente por Cliff Chiang trouxe um ar fresco à princesa amazona, ao mesmo tempo em que adicionou mudanças à sua mitologia – algumas polêmicas e outras não. No geral, tudo o que eles fizeram não maculou a imagem da personagem ou sua essência. Após David e Meredith Finch assumirem a revista, as coisas desandaram muito, e era hora da personagem ser resgatada do fundo do poço. Para essa missão, chamaram ninguém menos que o escritor que redefiniu a personagem nos anos 2000: Greg Rucka.

Ninguém esperava a volta de Rucka para o título da Mulher Maravilha até seu nome ser anunciado na Wondercon 2016. Autor de histórias memoráveis com a personagem de 2003 à 2006, ele trouxe uma abordagem moderna e elegante para a embaixadora da paz que não se via desde a reformulação feita por George Pérez em 1987. Portanto, o hype para seu retorno à personagem depois de dez longos anos era, no mínimo, gigante.

Assim como em Green Lanterns: Rebirth #1, a história segue bem intimista, apenas com pensamentos de Diana questionando não apenas quem ela é, mas também o que ela faz. Por quase dois terços da revista, não se tem balões de diálogo; e por incrível que pareça, não deixa a narrativa arrastada ou cansativa. Em poucas palavras o autor consegue transmitir exatamente o que quer, sem encher o quadrinho de diálogos e mais diálogos, tendo um poder de síntese e controle de escrita que muitos autores por aí deveriam ter. Rucka entende a personalidade da Mulher Maravilha como poucos, e aqui ele soube trabalhar isso muito bem. Diana sente que algo está errado. Com o mundo? Com ela? Isso a faz inclusive usar o Laço da Verdade em nela mesma, o que acaba compelindo-a numa jornada de auto-descobrimento.

O que o autor fez foi basicamente Diana partindo para redescobrir suas origens que “continuam mudando”, numa clara metáfora para todas as suas origens já contadas nos quadrinhos. Isso não significa necessariamente que a origem contada por Azzarello seja desconsiderada, mas dá-se a entender que isso terá papel importante durante a trama, já que “alguém” mexeu no passado da princesa de Themyscira, e ela está em busca desse alguém. A mudança do uniforme d’Os Novos 52 para um mais verossímil dentro da estética guerreira de Diana – inspirado pela versão usada por Gal Gadot em Batman vs Superman: A Origem da Justiça – não é gratuita e justifica como a personagem está realmente voltando às suas raízes para se reencontrar. Os desenhos de Matthew Clark e Liam Sharp – que dividem a arte da revista – são feitos com esmero e casam completamente com o teor da história.

Se você, glorioso leitor, saiu de sua sessão de BvS querendo saber mais sobre a personagem ou acompanhar suas histórias, confira Wonder Woman: Rebirth #1. É o marco zero de uma nova e – arrisco dizer – melhor fase da heroína em muito tempo. O Rebirth do título não é apenas o nome da atual fase e sequência de histórias, mas também é o renascimento da Mulher Maravilha não como guerreira ou heroína, mas como pessoa.

  • Fabiane Abrenhosa

    ótima review 💕

    • Murilo Fernando

      Muito obrigado, @fabianeabrenhosa:disqus !
      Fique ligada aqui no site para acompanhar os reviews das edições mensais e outras notícias relacionadas à Mulher-Maravilha! 😉