[REVIEW] The Button

DC Universe: Rebirth #1 já é um marco na história da DC Comics. O one-shot escrito por Geoff Johns foi o ponto de partida da restauração de aspectos únicos do Universo DC – como o legado – que se perderam em 2011 com o reboot d’Os Novos 52. Mas uma história de 80 páginas não seria suficiente para reparar 5 anos de cronologia fraturada, por isso foi introduzido um mistério no qual supostamente Dr. Manhattan teria roubado 10 anos da continuidade do Universo DC, criando um status quo inédito para esse mundo heroico.

Esse mistério foi combustível para vários arcos de histórias que contribuíram aos poucos com pequenas informações que alimentaram teorias criadas pelos fãs. A DC percebeu o quão bem sucedido era esse formato de contar histórias e incentivou ainda mais o seu público nessa jornada de especulação. Entretanto, todo mistério possui um prazo de validade e estendê-lo mais do que o necessário pode fadigar o leitor. Pensando nisso, a editora anunciou The Button.

Com argumento de Geoff Johns e roteiro de Tom KingJoshua Williamson, o crossover entre os títulos Batman e The Flash tinha como proposta lançar o Cavaleiro das Trevas e o Velocista Escarlate em uma insana investigação através de realidades para descobrir o assassino do Flash Reverso e encontrar respostas para o roubo de cronologia.

The Button é, mais do que tudo, uma história de contrastes. Por mais bem sucedida que ela seja em alguns aspectos, ela falha absurdamente em outros. O exemplo mais notável são os roteiristas envolvidos. Tom King e Joshua Williamson são excelentes escritores, porém com estilos distintos. Enquanto King preza pela megalomania, narrativa enxuta e o impacto visual em suas histórias, Williamson é verborrágico, usando muitos balões recordatórios para aprofundar seus personagens, desenvolvendo a trama lentamente.

Essa dissemelhança de estilos é nítida entre a primeira e a segunda edição do crossover. Batman #21, de autoria de King, é uma aula de narrativa que emula e ao mesmo tempo homenageia a narrativa empregada por Alan Moore em Watchmen, criando uma atmosfera tensa que faz o leitor prender a respiração. Já The Flash #21, escrita por Josh Williamson, é apenas uma edição burocrática, que repete muitas das conjecturas feitas por Barry Allen em outras edições de seu título solo e serve apenas para levar a história de um ponto a outro. Esse grau absurdo de diferença narrativa ficou tão nítido que as duas últimas edições de The ButtonBatman #22 e The Flash #22 – foram dadas para Williamson.

Aliadas à essa diversidade narrativa, tivemos a espetacular arte de Jason Fabok para as edições de Batman e um apático Howard Porter para as edições de The Flash. Embora o texto da história não possa incomodar os leitores, a mudança de arte é um elemento problemático para The Button, que varia entre a excelência ilustrativa de Fabok e a desproporcionalidade de Porter. Não que Howard Porter seja um artista medíocre, mas sua arte aqui não encontrou o mesmo espaço que encontrou em títulos como Liga da Justiça 3000.

De todos, o maior problema de The Button é a sua insistência em postergar o mistério. Vendido como um grande evento que solucionaria algumas questões levantadas em DC Universe: Rebirth #1, The Button solucionou apenas um único mistério – que foi ofuscado pelo anúncio de sua continuação, Doomsday Clock – e deixou várias pontas soltas para serem amarradas posteriormente.

Para ocupar todas as quatro edições, tivemos Batman e Flash viajando através do Hipertempo – conceito criado por Grant Morrison e Mark Waid para explicar os Elseworlds que foi resgatado após anos no limbo – e encarando um Thomas Wayne que proferiu palavras que mudariam o futuro do Batman. O encontro entre Bruce e Thomas pode ser considerado emocionante para muitos leitores, mas foi apenas uma repetição de momentos apresentados anteriormente em Terra 2 e Convergência. Aqui, esse encontro foi executado com maestria, mas foi desprovido de qualquer carga emocional.

Mesmo que tenha sido uma história apenas para chacoalhar o público e deixar todos ávidos para próximas histórias, The Button não foi um crossover dispensável. Apesar de possuir mais encheção de linguiça do que conteúdo relevante, a trama ofereceu muitos elementos dos quais os leitores poderão investigar e criar suas próprias teorias. No geral, está longe de ser uma história ruim, apenas sofreu com problemas que poderiam ser remediados pelo próprio editorial da DC Comics. Mas como dito na frase do epílogo da história, existem venenos para cegar você, e venenos para abrir os seus olhos.

Nota: 7/10

  • Eduardo Faria Guimarães

    The Button pra mim seria muito melhor se não tivesse apenas cinco edições,eu entendi que a proposta desse arco era tirar o Batman do jogo com aquela frase do Thomas Wayne dele não ser o Batman.

    De resto foi um ótimo arco,o que me decepcionou mesmo é a “volta” de Jay Garrick,acredito que os mistérios do Renascimento serão resolvido antes de Novembro com Doomsday Clock.

  • O Homem do QI200

    Nossa, concordo 100% com sua review, eu realmente pensei que teria respostas sobre o rebirth e detalhou bem sobre #21 do Williansom. Como disse, fiquei feliz e puto com a aparição relâmpago do jay, mas acredito que o Johnny Trovoada seja o para-raio dele. O que destaco desse crossover são: a volta do Flash Reverso, o “achados e perdidos da LJ”, os vislumbres da Crise e da formação da LJ e o epílogo que deixou uma água na boca.
    Dos crossovers, foi o que menos gostei, achei o “Superman Reborn” bem daora, apesar de não ter gostado muito do final e ter deixado tudo tão confuso e gostei principalmente da Noite dos Homens Monstros. Agora, vamos ver agora “O Contrato de Lázaro”, que acho que vai ser bem daora. Vão fazer review desse crossover também né?

    • Vamos sim, mas vamos esperar acabar ao invés de ficar fazendo análises semanais, porque as pistas em Lazarus Contract são mais sutis e fazem mais sentido se reunidas de uma única vez.