[REVIEW] Aquaman: Rebirth #1

Seguindo a linha de one-shots mostrando a nova abordagem que os heróis da DC Comics receberão, Aquaman: Rebirth #1 faz seu trabalho até que decentemente. Escrita por Dan Abnett, história começa chamando a atenção do leitor ao conceito de proporções, seguindo uma ideia bastante fluida para nos fazer ter a noção da grandeza dos oceanos, frisando diversos detalhes deliciosos – como o conhecido fato dos mares cobrirem dois terços do planeta e que eles abrigam noventa e sete por cento da biosfera do globo –, tornando o começo da leitura bem interessante. Tudo isso apresentado para dar uma entrada triunfal ao Aquaman, de uma forma que não podia ser melhor.

A narrativa expressa bem o fator de responsabilidade que pesa sobre os ombros de Arthur Curry, e essa responsabilidade é reforçada durante todo o one-shot. Na humilde opinião desse redator que vos escreve, essa é a característica mais marcante do personagem. Um narrador, que não se revela à princípio, informa o leitor da situação: um grupo terrorista atlante denominado O Dilúvio planejava um ataque à uma cidade litorânea, e Aquaman chega para impedi-los. Nesse momento, a história cai um pouco. Os adendos do narrador misterioso se mostram mais interessantes que os próprios diálogos, tornando a leitura cansativa e monótona, como se estivéssemos lendo apenas por obrigação.

O que incentiva a terminar a edição é a curiosidade para descobrir quem é o narrador, já que a essa altura quase todos os personagens ligados ao Aquaman foram apresentados. Enquanto o combate entre Arthur e os extremistas do Dilúvio continua, o narrador passa a mostrar outros aspectos do personagem no mundo em que vive, como a velha piada do “só fala com peixes” e toda a controvérsia que a pessoa dele causa à sociedade, com seu papel de membro da Liga da Justiça e líder de uma sociedade paralela de vasto poderio militar. Depois do combate, a história pula para uma cena completamente desnecessária do Aquaman tomando sopa num restaurante com sua esposa, Mera – de uniforme, tridente e tudo, onde Abnett encarna o Geoff Johns. Infelizmente, temos mais uma bateria de diálogos cansativos e desinteressantes. Novamente, o narrador misterioso salva a parada ao dizer que sem Mera, Arthur provavelmente entraria em colapso por conta da carga de suas responsabilidades.

Ao final, o narrador se revela ninguém menos que o Arraia Negra, arquirrival do Aquaman, que esteve um tanto apagado desde Os Novos 52. Ele revela parte de seus planos, seguindo muito bem a personalidade fanática do personagem. A história se encerra com suas promessas de vingança contra Aquaman, que nos deixa com aquela vontade gostosa de querer saber logo o que vai acontecer.

Assim como a história, a arte também teve seus altos e baixos. Scot Eaton e Oscar Jimenez nos presenteiam com algumas ilustrações de páginas inteiras realmente maravilhosas e texturas extremamente bem trabalhadas, mas pode-se ver no decorrer da história uns quatro rostos diferentes para o Aquaman. Com uma edição que foi uma verdadeira montanha-russa, Aquaman: Rebirth #1 pelo menos consegue fazer seu trabalho, que é apresentar o novo status-quo do personagem e criar expectativa para ver o que se desenrolará no decorrer da revistas mensais do herói, mesmo que aos 45 do segundo tempo. Fazer uma revista de sucesso do Aquaman não será fácil, mas tudo indica que Dan Abnett está no caminho certo.

Nota: 7.4

  • Mark

    Realmente o Abnett encarnou o Geoff Johns, lembro que na primeira ou segunda edição de Aquaman dos novos 52, ele estava no mesmo restaurante respondendo comentários sobre “falar com peixes”.