Lego Batman: O Filme – Um excelente exercício de criatividade e engenhosidade

Três anos após o sucesso de Uma Aventura Lego (2014, de Phil Lord e Chris Miller), um novo leque de possibilidades se abriu para a empresa que porta o mesmo nome – que já é extremamente bem sucedida não somente em seus brinquedos, mas em todas as mídias possíveis com um número inimaginável de franquias abraçadas pela marca – pudesse explorar seu potencial mais a fundo nas grandes telas. E, fruto disso, nasceu Lego Batman: O Filme, que antes de ser mais um filme explorando uma das maiores propriedades intelectuais da DC Comics – ou, quem sabe a maior, como o próprio Batman exalta no filme -, é uma amostra de engenhosidade e criatividade que se mostra certeira nos aspectos que promete entregar.

A animação dirigida por Chris McKay se trata de basicamente um spin-off de Uma Aventura Lego, já que o próprio Cavaleiro das Trevas tinha surgido inicialmente no longa como um de seus vários coadjuvantes. Porém, o filme se mostra visivelmente independente aos acontecimentos ocorridos no filme de 2014, com uma exceção óbvia à personalidade caricatural do Vigilante de Gotham e um ou outro easter-egg que algumas mentes mais perspicazes podem notar.

No longa, somos reapresentados à um Batman (Will Arnett/Duda Ribeiro) totalmente extrapolado em seus níveis de narcisismo e megalomania, que utiliza os seus recursos físicos e monetários para combater os numerosos e caricatos criminosos de Gotham City. Mesmo sendo um produto nitidamente voltado para o público infantil, Lego Batman se mostra bem eficiente na abordagem psicológica do seu personagem, pois ele abrange a solidão do protagonista, mostrando o quão ele precisa do seu alter-ego para cobrir seu trauma e seu medo de formar uma nova família, que é basicamente o recurso no qual Alfred (Ralph Fiennes/Julio Chaves) se torna responsável em demonstrar. E, baseando-se em um descuido de seu patrão, Alfred acaba adotando Dick Grayson (Michael Cera/Andreas Avancini), também órfão, utilizando-se do argumento de que um filho adotivo seria o ponta pé inicial para que Bruce Wayne começasse a sentir o valor real de uma família. Mesmo lidando com má vontade, Batman acaba aceitando a companhia de Dick, que logo depois vira o Robin, no desenrolar de uma trama que envolve o Coringa (Zach Galifianakis/Márcio Simões), que parece aprontar mais uma.

E falando no Coringa, um ponto interessante do filme é a forma que ele aborda o relacionamento (em todos os sentidos possíveis do termo) entre o Cavaleiro das Trevas e o Palhaço do Crime. Se baseando em eras e eras de conflitos ao redor das várias mídias possíveis, o filme faz uma leve assimilação aos relacionamentos modernos, com tons satíricos e talvez até com certo deboche, mas sem perder linha do humor.

O filme nos entrega uma adaptação divertidíssima do universo do Homem-Morcego na forma de seus icônicos blocos de montar. Ele não pega somente a mitologia do Cruzado de Capa para sustentar a sua história, mas como acaba pegando outros elementos do Universo DC – como Superman – e de outras franquias de heróis, o que eleva o grau de diversão do filme de maneira agradável.

O ritmo da direção do filme é frenético, com piadas a todo instante, mesmo em momentos mais dramáticos, o que pode acabar causando um leve desconforto em questão à estrutura da animação. Além de que não é difícil você questionar certas escolhas de roteiro. A resolução final, embora bem construída, não possuí a intensidade necessária, o que gera uma estranheza, sendo que o mesmo problema poderia ser resolvido, talvez, com uma simples alteração no tempo.

Mesmo com seus probleminhas, no geral, Lego Batman: O Filme é uma excelente variação do vigilante, se provando uma ótima animação que preza o divertimento do público infantil, maduro, e, principalmente, os batmaníacos.