Final de War of Jokes and Riddles pode mudar o Batman para sempre

Por trás de todo o drama super-heroico envolvendo o Batman, suas histórias são muitas vezes conduzidas por uma única questão retórica generalizada: o Cavaleiro das Trevas é o problema ou a solução? É uma dúvida que nunca para de gerar debates e que serviu para construir uma tensão em Gotham City por décadas, com clássicos atrás de clássicos explorando se foi o mal ao redor de Bruce Wayne que o inspirou a colocar a capa e o capuz, ou se foi a criação do Batman que serviu como inspiração para o mal em Gotham se levantar e desafiá-lo. No final do dia, o que realmente separa o herói do resto dos loucos e perturbados criminosos de Gotham?

The War of Jokes and Riddles chegou oficialmente ao fim em Batman #32, trazendo consigo algumas respostas, em mais de um modo de interpretação. A história foi contada através de flashbacks enquanto Bruce relata à Selina Kyle os eventos que ocorreram em seus primeiros dias como Batman, o que significa que o fim da guerra nunca foi o foco da história. Sabemos como isso termina, claramente. Bruce não estaria aqui – Gotham City não estaria aqui – para contar a história se a luta não parasse e o mundo não conseguisse seguir em frente. O propósito, então, de se contar essa história – tanto nas páginas da revista, de Bruce para Selina, quanto fora, de Tom King aos leitores – tem sido admitir algo sobre o passado de Bruce que ele manteve escondido – algo que ele considera profundamente vergonhoso. Algo que ele deseja que Selina saiba antes de responder sua proposta de casamento.

Então o que, exatamente, tem assombrado o Cavaleiro das Trevas por tanto tempo? Essa é uma coisa bem complicada de se resumir. Acontece que depois de uma revelação devastadora feita pelo Charada – de que ele estava orquestrando toda a guerra na tentativa de criar a piada perfeita para fazer o Coringa rir -, Batman surtou a ponto de estar completamente disposto a matar o vilão. Nas suas próprias palavras, ele estava “no controle”, “sabia o que estava fazendo”, e “não foi um acidente”. Ele estava pronto para quebrar sua principal regra como vigilante: não matar.

O problema é que ele tinha um motivo bastante compreensível para quebrar seu próprio código – tanto quanto qualquer outro motivo para se cometer um assassinato possa parecer compreensível. Em meio à guerra, tivemos uma história intercalada com o enredo principal, denominada A Balada do Homem-Pipa, onde é mostrado que Charles Brown adota a identidade de Homem-Pipa – inspirado pelo interesse que seu filho tinha em pipas – e entra na guerra do lado do Coringa após seu filho ser morto pelas mãos do Charada. Isso, é claro, se mostraria útil para Batman mais tarde, que conseguiu convencer Charles a trair o Coringa e o ajudar no confronto final. Uma ascensão e tanto para um vilão Classe D do Homem-Morcego que não tinha uma aparição notável há anos.

Quanto ao Charada, ele construiu toda a guerra apenas para fazer o Coringa rir… No entanto ele não está rindo. E tampouco Batman. É nesse momento, depois dessa epifania, que Batman decide que o mais sensato a se fazer seria matar o Charada. Claro, isso não é o que acaba acontecendo, e a última risada realmente é dada pelo Coringa, embora não por causa dos planos cuidadosamente arquitetados pelo Charada – o Coringa acaba por ser o único motivo pelo qual Charada continua vivo, entrando entre o Cavaleiro das Trevas e seu alvo, levando a faca pelo inimigo. Ainda assim, o efeito desse momento sobre Bruce é o mesmo: a repentina e imediata reação de que a diferença entre Batman e seus vilões é apenas “uma mão sobre a faca”.  Única coisa que impede que Batman passe desse ponto sem retorno não é completamente inato a ele – não é algo do seu íntimo ou genético, ou mesmo praticado -, é uma força totalmente externa de algo que o impede de ir longe demais.

Era isso que Selina precisava saber antes que ela pudesse responder à proposta. O Batman não é a solução, nem o problema. Ele é apenas uma outra engrenagem na máquina que mantém Gotham funcionando. Agora que Selina tem conhecimento de todos esses fatos, é hora da segunda grande revelação que o arco The War of Jokes and Riddles tem para oferecer. Depois de uma história completa de 8 edições, a resposta da Mulher-gato para a proposta de casamento do Cavaleiro das Trevas é um emocionante “sim”.

Na realidade, esta não é a primeira vez que o casal dá um passo a mais em seu relacionamento, mas é a primeira vez na nova continuidade do Universo DC, então certamente não há tantas perguntas a serem feitas. O Batman moderno não é estranho a relacionamentos, mas casamento nunca chegou às suas prioridades. Afinal, como você se casa com um herói que é definido por suas perdas e pelo isolamento? Nos últimos dois anos nas histórias do Batman, Tom King conseguiu gradualmente focar na cruel introspecção e na psicologia do Cavaleiro das Trevas. Este casamento tem o potencial de desfocar as linhas entre Bruce Wayne e Batman de uma nova maneira – uma que não deixe Bruce sendo apenas uma máscara e o Batman seu “verdadeiro eu”.

  • Laisla

    Mas tem que ser pra sempre mesmo, cansei de ver o Batman sofrendo, deixa ele ser feliz em pelo menos um aspecto da vida dele, isso não muda ele como personagem, muito pelo contrário, acrescenta a mitologia que tantos amam

  • O Homem do QI200

    Rapaz, achei bem legal esse arco principalmente do núcleo focado ao Homem Pipa, mas o ponto alto mesmo foi saber que a guerra foi criada num simples intuito de fazer o Coringa rir, não esperava por essa.
    Agora, imaginei essa mesma revelação e com o Lobo na cena… ele teria matado o Charada e ainda diria que apenas fez isso pq o cara é um inútil, orquestra um plano gigantesco, mata centenas de pessoas pra mandar uma piada sem graça.