Elementos da origem do Batman são modificados em Batman #12

Numa decisão controversa, Tom King, na edição #12 de Batman, revelou o verdadeiro significado do título do atual arco da revista do Cavaleiro das Trevas, I Am Suicide (Eu Sou Suicídio, numa tradução livre). Em uma carta de Bruce Wayne para Selina Kyle, Batman vai fundo em seus traumas e confidencia que apenas resolveu dedicar sua vida ao combate ao crime após tentar suicídio quando criança.

O título do arco inicialmente pareceu fazer referência ao proto-Esquadrão Suicida que Batman criou para invadir a prisão de Santa Prisca e libertar o Pirata Psíquico das mãos de Bane, com o objetivo de salvar Gotham Girl. Todavia, o plano deu errado quando a Mulher-Gato traiu o time.

Na última edição, Selina iniciou um monólogo niilista sobre o motivo de não haver esperança de redenção para seus crimes, mas a história de Bruce é sobre lutar uma guerra espiritual eterna. Ele começa reconhecendo o quão absurda é a sua cruzada, notando que seus pais “dignos e gentis” teriam rido ao ver seu filho vestido como um morcego; a “pequena criança rica” que fez um voto de passar sua vida “guerreando contra todos os criminosos”. Mas após refletir sobre como o mundo inteiro pode rir dele, como algumas vezes ele ri de si mesmo, ele percebe que Selina não faria isso, pois “você sabe o que isso é”.

A partir daí vem o maio retcon da origem clássica do Morcego, o momento em que um Bruce Wayne de dez anos de idade tenta cortar seus pulsos com a lâmina de barbear de seu pai. Ele descreve isso como um ato de rendição. “Minha vida não era mais minha vida”. E esse foi o momento que ele fez o juramento para combater o crime. Bruce/Batman conclui descrevendo sua cruzada como “A escolha de um garoto. A escolha de morrer”, declarando “Eu sou Batman. Eu sou suicídio”.

Tom King fez uma escolha ousada ao introduzir esse elemento na mitologia do Batman. Mas é uma decisão que tem implicações assombrosas. De um lado, pessoas que lutaram contra o suicídio – particularmente pessoas jovens – podem ser encorajadas a procurar uma segunda chance ao verem elas mesmas representadas em um dos mais importantes heróis – um dos mais poderosos ícones da cultura pop – do mundo. Batman, o Cavaleiro das Trevas, superou o desespero para levar uma vida de intenso propósito e valor.

A história que Batman conta é sobre a morte de Bruce Wayne, de desistir de tudo para servir uma missão. Isso é um altruísmo fatalista, que é, de muitas maneiras, difícil de admirar e não algo que deveria ser emulado. Mas o que nós tiramos desse importante novo detalhe na história do Cavaleiro das Trevas – especialmente ao invocar outra característica que define o personagem, sua recusa para matar? Francamente, isso é uma motivação mais convincente do que o escorregadio argumento que vem sido contado até agora: matar o Coringa não faz de você mal que nem ele.

Bruce Wayne está morto. E ainda sim lamenta por Tim Drake, que ele acredita ter perecido. O Cavaleiro das Trevas tem uma angústia quanto suas falhas com Jason Todd. Ele tem orgulho do crescimento de Dick Grayson como herói. E até agora, conforme I Am Suicide se aproxima de sua conclusão, ele luta pela vida e alma de Selina Kyle, que o traiu. Batman pode ser o produto do suicídio, mas tem um ser vivendo ali, mesmo que ele não reconheça isso.

Os leitores podem confiar que isso será explorado futuramente. King é um escritor extraordinário, como evidenciado em The Omega Men e Sheriff of Babylon. Além disso, ele está trabalhando com artistas espetaculares – os visuais de Mikel Janin em Batman #12 são de tirar o fôlego. A DC Comics parecer ter dado a ele tanta liberdade em contar a história que ele quer contar que esses personagens sairão consideravelmente enriquecidos dessa experiência.

  • David Pinheiro

    Fascinante.