Como Dark Days: The Forge pode trazer a próxima Crise do Universo DC

Com a chegada de Dark Days: The Forge, tivemos uma enxurrada de novas informações, com a premissa de Dark Nights: Metal ficando cada vez mais clara. Mas o mais importante é que, embora Scott Snyder tenha dito que Metal não é mais uma Crise, está óbvio que sua proporção estará na mesma escala que esses clássicos eventos da DC.

Com a ajuda de Scott Free, o Senhor Milagre – fazendo um grande retorno na hora exata para dar início ao seu título solo comandado por Tom King e Mitch Gerads), Batman foi capaz de recuperar um item que ele, aparentemente, manteve armazenado profundamente dentro dos cofres da Fortaleza da Solidão. O “item” é o diapasão cósmico usado pelo Monitor em Crise nas Infinitas Terras.

O artefato, durante a Crise original, foi projetado para proteger alguns universos das ondas de antimatéria do Antimonitor. O Monitor colocou esses diapasões em várias Terras e enviou heróis para defendê-los dos exércitos do Antimonitor. A ideia do Monitor aqui era que esses diapasões permitiriam alinhar os padrões vibratórios dessas diferentes Terras e salvá-las do invasor que as ameaçava.

Muito mais tarde, durante a Crise Infinita, um desses diapasões ressurgiu, desta vez combinado com o cadáver do próprio Antimonitor. Na história, Alexander Luthor da Terra-3 planejava usar esse poder para ressuscitar algumas das Terras que tinham sido apagadas do Multiverso durante a Crise.

Toda vez que um desses pilares dourados está envolvido, as apostas são quase imediatamente elevadas ao status cósmico. E com essas estacas cósmicas em jogo, um evento do nível de uma Crise não pode estar muito longe de acontecer.

Claro que ficamos com uma pulga atrás da orelha sobre como Batman conseguiu por as mãos em algo tão poderoso, ou de onde ele pode ter vindo – se é uma relíquia do Monitor ou de Alexander Luthor, ou de alguma forma, de nenhum dos dois. Mas, como o Senhor Milagre aconselhou, independentemente de onde isso veio, é absolutamente perigoso. O que, claro, significa que o Batman vai continuar com ele.

Então, quais são os eventos do nível de uma Crise?

Isso tudo se originou nos anos 60, no início da adoção oficial do conceito de Multiverso pela DC. Começou como uma maneira de descrever momentos em que heróis de diferentes Terras foram reunidos por uma causa comum. Desde então, o conceito evoluiu e se adaptou para se referir a quase todos os principais crossovers dentro do Multiverso DC que tem potencial para consequências maiores e duradouras – geralmente do tipo que tem alguma influência na continuidade, tanto no sentido textual como metatextual – ou seja, apagar personagens da existência ou mudar a história canônica de um personagem de forma a retomar sua introdução anterior, e assim por diante.

Um componente-chave de uma Crise tem tanto a ver com a escala quanto com a conexão – um verdadeiro evento de nível Crise acontece em uma história que une vários títulos e personagens, pois não é um evento que qualquer história em andamento possa simplesmente ignorar e seguir em frente.

Adequadamente não houve um evento digno de ser chamado de Crise desde Crise Final, que se concluiu em 2009, embora o resgate da continuidade subsequente do Flashpoint certamente se encaixaria na denominação, apesar de nunca ter sido designado oficialmente como uma Crise.

Na verdade, cada vez mais, parece que a DC está evitando o termo “Crise”, seja em consideração à finalidade de Crise Final ou por qualquer outro motivo. O fato é que, neste momento, a convenção oficial de nomeação dificilmente importa – o que importa é o potencial para algo realmente de grande importância e que tenha consequências concretas na continuidade das histórias, coisas que agora estamos esperando vir de Dark Nights: Metal.

E, talvez mais significativamente, será a primeira vez que pode ser dito algo assim do Universo DC desde Flashpoint e o nascimento d’Os Novos 52. Mas isso não quer dizer que o universo d’Os Novos 52 nunca tentou eventos desse tipo, porém durante os seis anos dessa fase nenhum deles conseguiu nos trazer histórias dignas do nome “Crise” tendo quaisquer efeitos duradouros ou universais que se repercutissem em vários títulos da editora. Convergência chegou perto, mas a falta de consequências significativas ou notáveis não ajudou – em grande parte graças à falta de conexão entre os títulos em andamento e suas histórias.

Até mesmo o Rebirth evitou cruzar o limite de “Crise”, mantendo-se apenas como uma iniciativa em toda a linha editorial, em vez de um evento. No entanto, os mistérios e os porquês levantados pelo Rebirth preparam terreno para algo de maior escala, como Metal.

Ao incluir um diapasão cósmico, Dark Days: The Forge #1 efetivamente cutucou os fãs indicando que algo de real importância está chegando. Um evento de nível Crise é o próximo passo que o Rebirth vai tomar. Embora cada título individual tenha feito um desenvolvimento considerável com seus personagens, na medida em que cobre buracos nas histórias, excluído ou simplesmente ignorado o que foi feito durante Os Novos 52, ainda existem grandes coisas que precisam de atenção e de um maior aprofundamento.

Metal ser ou não uma crise não é bem o ponto – presumindo que será um bom evento, ele significará o aprofundamento em um legado que manteve o Multiverso DC em execução a décadas. Os eventos do nível Crise são mais do que apenas motores de mudança – eles funcionaram como testes decisivos para a vitalidade e a coesão do Multiverso.

Uma boa Crise dá aos leitores um ponto de referência sólido e que ecoa por todos os títulos e personagens dando uma inegável sensação de espaço compartilhado entre os heróis e os inimigos que eles enfrentam. Tudo visto aqui pode parecer meio intimidador, mas se Metal conseguir abraçar esse passado cósmico da editora, podemos muito bem estar olhando para o verdadeiro retorno do coração e alma da DC.

  • O Homem do QI200

    “Na verdade, cada vez mais, parece que a DC está evitando o termo “Crise”, seja em consideração à finalidade de Crise Final…” Se for por esse motivo, a DC poderia simplesmente desconsiderar de tão ruim que foi kkkkkkkkkkkkkkkk. Sério, até hoje, não acredito que essa HQ é de Grant Morrison. Mas enfim, com a notícia do Checklist dessa Saga me desanimou tanto, que só vou ler quando as scans se mobilizarem.