Batman enfrenta desafios emocionais em team-up com Monstro do Pântano

“Se você me ouvir, eu vou cantar uma canção de uma flor que agora está caída e morta”. É assim que se inicia Batman #23, a mais nova colaboração entre Tom King e Mitch Gerads. O cantor em questão é um velho barbudo, um desconhecido anônimo, que é morto quatro painéis depois com dois tiros na cabeça.

A música é My Wild Irish Rose, do tenor americano descendente de irlandeses Chauncey Olcott. A letra da música é uma pista para a identidade da vítima: Lloyd Bernard McGinn, 68 anos, originário da Louisiana e pai biológico do Monstro do Pântano, Alec Holland, que se une ao Batman para encontrar o assassino.

O título da história, The Brave and the Mold, é um trocadilho com o clássico título The Brave and the Bold, que estreou em 1955 como uma antologia de quadrinhos para heróis antigos. Eventualmente, a revista se tornou um team-up de Batman com outros heróis, seguindo a onda da série de televisão de 1966. Dos muitos momentos que a revista teve, os mais notáveis foram a aparição original do Esquadrão Suicida e o começo do icônico run de Neal Adams com o Batman.

Essa não é a primeira vez que Batman e Monstro do Pântano trabalham juntos. A dupla já se reuniu uma vez nas páginas de The Brave and the Bold #122, de 1975. Com roteiro de Bob Haney e arte de Jim Aparo, a história apresentou Batman resgatando a criatura do vilão B.B. Rigg – dono de um circo de horrores – e logo em seguida se unindo para salvar Gotham City da invasão de uma raiz gigante. Ao final da edição, Alec Holland é dado como morto, até ser revivido por Batman através de seus restos vegetais.

Ao contrário de seu predecessor dos anos 70, The Brave and the Mold não é um conto sobre salvar a cidade, mas um thriller procedural com clima noir. King e Gerads exploram a natureza detetivesca do Batman, com o Cavaleiro das Trevas revirando Gotham City atrás de pistas. O visual da revista é um tributo à história de Haney e Aparo, que era dividida em capítulos e fechada em uma única edição.

O clima da edição é denso, com sólidas doses de horror. Todavia, também possui alívios cômicos, com diálogos hilários dignos de sketches de comédia.

Apesar de ser uma história fechada, The Brave and the Mold utiliza conceitos e momentos estabelecidos anteriormente em The Button e I Am Suicide – arco de Tom King no qual revelou que Bruce Wayne tentou se matar aos 10 anos e se tornou Batman não apenas por uma questão de vingança, mas como um ato prolongado de auto-negação impulsionado por um desejo de morte implacável.

A busca pelo assassino do pai de Holland não é apenas mais uma investigação para Bruce, mas também uma maneira de lidar com a perda de seus próprios pais – e com o trauma de ver seu pai morrer novamente, como visto em Batman #22.

Antes de desaparecer para sempre, Thomas Wayne pediu para que seu filho abandonasse sua carreira como vigilante. “Não seja o Batman. Encontre felicidade, por favor. Você não precisa fazer isso por mim. Não faça isso por sua mãe. Seja um pai para o seu filho de uma forma que eu nunca consegui”. Ao longo da história, Batman fica impressionado com a calma do Monstro do Pântano. “Você não parece chateado”. O Monstro do Pântano rebate, dizendo que a morte faz parte do ciclo de vida e decomposição. “Ele vai voltar para o Verde”.

A resposta ressoa para Batman, que vem sendo reformulado por Tom King com uma personalidade pessimista, que perdeu seu pai duas vezes. Talvez ele possa encontrar um significado na morte de seus pais que o leve para além de um caminho de autodestruição. Talvez exista uma maneira para Holland lidar com a morte de seu pai, que permitirá a Wayne finalmente chegar a um acordo com sua própria perda.

Outro elemento crucial na história é que tanto Thomas Wayne quanto Lloyd McGinn deixaram cartas para seus filhos. A resolução da história – e seu subsequente encerramento – explora a maneira como Bruce e Alec lidam com a ausência de seus pais.

Embora seja uma história auto-contida, The Brave and the Mold não é uma história sem consequências, e é muito importante para o run de Tom King. Assim como I Am Suicide, The Brave and the Mold redefine o núcleo emocional que constitui o Batman. Isso não só questiona o que significa ser um filho órfão, mas também o que significa ser um pai.

King e Gerads afirmaram que esse one-shot terá repercussões a longo prazo e um impacto nas histórias futuras do Batman. Talvez Bruce Wayne vai finalmente parar de tentar morrer a fim de honrar seus pais e começar a viver a fim de honrar seu filho.

  • Eduardo Faria Guimarães

    Pena que acabou não sendo nada relacionado a busca do Monstro do Pântano por Abigail Arcane,mas foi uma boa história,mostrou de como os dois heróis lidam com a dor da perda.

  • Neo

    The Button, I am Suicide….. Batman está sendo bem trabalhado.

    • Eduardo Faria Guimarães

      Viu o que te mandei lá no skype com informações de quais os títulos do Renascimento a Panini irá publicar?

      • Neo

        Opa, nem entrei ainda. Vou ver lá.