[ASILO ARKHAM] Uma cidade chamada Gotham

Sejam todos bem-vindos ao primeiro artigo do ano! 2017 inicia um novo ciclo de loucura aqui no Gloriosa DC, e não poderíamos começar o ano em melhor estilo se não fosse falando sobre a cidade onde Bruce Wayne nasceu e combate o crime todas as noites como Cavaleiro das Trevas: Gotham City!

ORIGEM E LOCALIZAÇÃO

O nome Gotham City surgiu em Batman #4, e foi cunhado por Bob Kane e Bill Finger – com maiores esforços do próprio Finger. O nome da famosa cidade foi citado através da um jornal estampado em uma das páginas da Gotham City Gazette. Segundo Finger, a criação do nome Gotham surgiu através de um anúncio em um catálogo telefônico de uma joalheria localizada em Nova York, chamada Gotham Jewelers, pois ele queria que qualquer pessoa, além dos cidadãos de Nova York, se identificasse com a cidade. Antes de Gotham, os nomes Civic City, Capital City e Coast City foram cogitados.

A inspiração para criar Gotham veio de duas cidades reais: Nova York e Pittsburgh. Outro fato pouco conhecido é que Nova York, durante século XIX, era chamada de Gotham por alguns escritores – o primeiro a usar este apelido foi Washington Irving, em alusão à uma cidade ridicularizada na Inglaterra, porque seus habitantes eram chamados de loucos.

A história de uma cidade como Gotham traz diversos elementos que em alguns momentos são contraditórios e que por vezes se completam, mas em todos os casos, deixam a história do local onde ocorrem as aventuras do Homem Morcego ainda mais interessante.

HISTÓRIA

Na região onde está localizada a cidade vivia uma tribo indígena chamada Miagani, antes da chegada dos colonizadores vindos da Europa. Em uma das versões da história de Gotham, os colonizadores eram liderados por um mercenário, provavelmente norueguês – neste ponto alguns relatos divergem e também já foi falado que ele era sueco e holandês -, que fugia das devastadoras guerras religiosas que ocorriam na Europa. Dizem que o tal mercenário deu ao povoado o nome de Forte Adolphus, em homenagem à um grande general de seu país. Em pouco tempo, o local passou a ser controlado pelos britânicos. O primeiro ato oficial do Governador Geral Adam Howe foi rebatizar o povoado com o nome de Gotham.

Em outra versão da história – provavelmente a mais famosa -, os colonizadores chegaram à região que hoje é conhecida como Gotham a serviço do Conde Maurício de Nassau. Com a chegada dos britânicos exilados da Inglaterra e Escócia, houve um confronto, e com a liderança do escocês Robert Kane, os britânicos tomaram a região. Robert é considerado o fundador da cidade e assim que o vilarejo começou a se expandir, passou a ser chamado de Gotham Bay. Os primeiros cidadãos gothamitas não se envolveram com o trafico de escravos e mantinham boa relação com os indígenas, mesmo com a expansão das estradas, e em 1739 Gotham foi elevada à categoria de vila.

Gotham ficou paralisada durante a Guerra da Independência, pois haviam muitos conservadores e rebeldes na cidade, além das tropas britânicas que se estabeleceram ali durante a maior parte da guerra. Durante um ataque rebelde do Exército Continental à fábrica de armas dos conservadores, espiões alertaram os britânicos, que prepararam uma emboscada. Graças à um mercador de Gotham chamado Darius Wayne – que alertou tocando o sino de uma igreja próxima à fábrica -, os rebeldes conseguiram escapar. Todavia, Wayne foi preso e acusado de traição. Antes de ser enforcado, o Exército Continental conseguiu tomar a cidade. Wayne foi salvo, e como prêmio por seu heroísmo, ele ganhou um lote de terras ao sul da cidade, que foi o começo do patrimônio dos Wayne.

Os gothamitas também tiveram participação marcante na luta contra a escravidão, pois até os cidadãos mais ricos da cidade contribuíram para combater o trafico de escravos, construindo túneis e redes de trens subterrâneos através de grutas e cavernas presentes no local.

No inicio do século passado, Gotham era considerada a maior cidade dos Estados Unidos, e graças à ascensão da Era do Aço – aliado à construção das estradas ferro -, chegou a ser o maior centro financeiro da America do Norte. Infelizmente, a partir de 1920 – e também graças à Grande Depressão -, a cidade começou a decair financeiramente, enquanto pobreza e criminalidade só aumentavam. Atualmente, Gotham City fica atrás apenas de Metropolis e Nova York, as maiores cidades americanas.

Gotham geralmente é descrita como uma cidade mercante, onde prostituição, drogas e a violência são fatos corriqueiros, com aspecto sombrio e cruel. Os altos índices de criminalidade fazem de Gotham o paraíso para os piores tipos de perversos, que geralmente vão parar no Asilo Arkham após serem capturados pelo Batman. Por conta dos hábitos noturnos do Homem Morcego, Gotham frequentemente é vista apenas durante a noite.

A cidade é um conjunto de diversas ilhas, mais uma estreita zona continental localizada no nordeste dos Estados Unidos, no Condado de Kane, no estado de Nova Jersey. Sua arquitetura é muito marcante, onde cerca de 40 edifícios superam os 180 metros de altura e a maior parte deles não possui janelas. É muito comum ver gárgulas vigiando os parapeitos.

Em sua parte continental, encontra-se a riquíssima região de Bristol Hills, onde está localizada a Mansão Wayne, o colégio Brethwood Academy, o Aeroporto Internacional Archie Goodwin, o Robert Kane Memorial House e a Ponte Monumental Robert Kane – ambos em homenagem ao fundador da cidade. A Ilha de Gotham, que é considerada a principal parte da cidade, é formada por 4 ilhas (Norte, Sul, Narrows e Tricorner). Na Ilha Norte, encontram-se a Suprema Corte, o Aparo Park e os distrito de Robinsonville. A Ilha Sul, que é separada da Norte pelo Rio Sprang, encontra-se o Parque Robinson, a Central de Crimes Especiais da Polícia de Gotham, o distrito financeiro da cidade, chamado de Diamond District e a Torre Wayne. No Narrows está localizado o Asilo Arkham para Criminosos Insanos e a maior favela de Gotham City, que é chamada apenas de Narrows.

Não podemos esquecer a penitenciaria de segurança máxima Blackgate, que está localizada em uma pequena ilha que também faz parte de Gotham City.

Outros bairros, locais e pontos turísticos da Cidade de Gotham que valem ser destacados:

  • Pântano da Chacina: local onde Solomon Grundy nasceu (ou renasceu, ou ressuscitou, enfim);
  • Beco do Crime: local onde Thomas e Martha Wayne foram assassinados. Também é o local onde Jason Todd foi pego pelo Homem Morcego tentando roubar as rodas do Batmóvel e onde fica a Clinica da Dra. Leslie Thompkins;
  • Química Ace: indústria química onde, aparentemente, ocorreu o acidente que deu ao Coringa sua aparência;
  • Burnside: bairro onde atualmente ocorrem as aventuras da Barbara Gordon como Batgirl;
  • Universidade de Gotham: local onde surgiram alguns dos vilões mais famosos da galeria de Gotham, dentre eles Arlequina e Espantalho;
  • Iceberg Lounge: casa noturna que pertence ao Pinguim;
  • Miller Stadium: lar do Gotham Rogues, principal time de futebol americano da cidade.

PRINCIPAIS TRAGÉDIAS

Provavelmente, por conta dos incontáveis criminosos, bandidos e supervilões presentes na cidade, Gotham é palco de tragédias inimagináveis todos os dias. Mas as maiores calamidades que acometeram a cidade foram o terremoto – que culminou em milhares de mortos e na destruição da cidade – e a epidemia do vírus ebola – que também matou milhares de pessoas. Ambos os fatos contribuíram para a cidade se tornar Terra de Ninguém durante um breve período de sua história, até ser novamente incorporada aos Estados Unidos e reconstruída.

Para finalizar o artigo deste mês, deixo para você, Glorioso Leitor, um dos trechos que melhor retrata Gotham na opinião deste humilde colunista. Essa passagem se encontra nas páginas de Batman: Cidade Castigada, de Brian Azzarello e Eduardo Risso, onde Batman está sob a chuva, refletindo sobre a cidade.

“Todo o granito esculpido e os salientes degraus de aço dão à impressão de que a cidade tem mandíbula de ferro… …Mas isso engana apenas os de fora. Quem mora aqui sabe que Gotham é realmente feita de iscas inflamáveis e pólvora, enquanto em seus esgotos arde querosene. Por isso, quando chove, não se trata apenas de água… …Mas de um alívio. Hoje em dia, corações apaixonados e professores dominicais adoram dizer que chuva são as lagrimas de Deus. No entanto, Deus não perde tempo chorando por Gotham. Esta chuva? Se vem dele… …Não são lagrimas. Tenho que confessar: acho que há um pouco de mim em Deus… Um senso de humor que ninguém entende. Embora não consiga imaginar minha vida sem esta cidade, eu também não choraria por Gotham. Já chorei… Uma vez… Anos atrás… Antes de me tornar quem sou. Antes de aprender que não há clemência em Deus… …Que não há lugar no paraíso para mim ou para Gotham City… …E que só há tempo para chorar quando já é tarde demais”.

É isso aí, queridos Dcnautas! Espero que vocês tenham gostado e, principalmente, aprendido muitas coisas sobre a história da cidade mais trevosa dos quadrinhos. Não deixem de comentar, a opinião de vocês é deveras importante.

Abraços e até a próxima!