[ASILO ARKHAM] O Batman na década de 1970

Olá, gloriosos leitores! Na década de 70, mais uma vez o Batman se tornou uma criatura da noite, voltando às suas raízes sombrias. Com a ajuda de artistas talentosos, o Homem Morcego aumentou ainda mais sua popularidade, já que tudo que aconteceu na década anterior havia afetado a percepção do público com relação às aventuras do Cavaleiro das Trevas. Com essas mudanças, o céu de Gotham City escureceu novamente, com Batman voltando para a sua ideia inicial. Com a década de 70, surgiram novos vilões para a galeria do Batman e a revitalização de vilões já conhecidos.

A década de 70 também foi um período de arte caprichada e histórias envolventes. Provavelmente, a Era de Bronze dos quadrinhos marcou o Batman de forma mais profunda do que qualquer outra era. Logo na primeira aventura da década, em Detective Comics #395, tivemos o início de uma das parcerias mais importantes da história de Batman: a do roteirista Dennis O’Neil com o artista Neal Adams. Os dois logo chegaram a um acordo sobre quais características de Batman queriam desenvolver e proporcionaram o que muitos fãs desejavam: aventuras sombrias. Ainda que as aventuras envolvessem investigações em florestas ou pântanos fora de Gotham, o Homem Morcego retornou para um universo verossímil, que fugia do exagero ficcional da Era de Prata.

Nesta década, o Cavaleiro das Trevas vivenciou diversos arcos e histórias emocionantes, que marcaram os fãs do Morcegão por gerações. Com vocês, os momentos mais marcantes do Batman na década de 70!

MORCEGO HUMANO

Em junho de 1970, Detective Comics #400 apresentou a origem do incompreendido Morcego Humano. A história gira em torno da transformação de Kirk Langstrom numa criatura híbrida de humano e morcego depois de tomar um soro que lhe daria habilidades de sonar semelhante à dos bichos que estudava, os morcegos. Em seu primeiro encontro com Batman, o Morcego Humano o ajudou a derrotar uma gangue e desapareceu ao final da história, intrigando os leitores da época.

A saga do Morcego Humano continuou em Detective Comics #402, mostrando Langstron em busca de uma cura para sua condição. Todavia, ao tentar roubar um composto químico que o ajudaria a criar um antídoto, acaba entrando em confronto com Batman e deixa o composto cair. Durante a fuga, ao se jogar pela janela do prédio, sofre mais uma mutação, surgindo asas abaixo de seus braços.

A trama é finalizada em Detective Comics #407, com Batman conseguindo criar um antídoto para Kirk e sua noiva, que também adquiriu uma mutação semelhante à do Morcego Humano. O casal ainda teve um final feliz, se casando em Detective Comics #416.

O Morcego Humano ganhou uma revista própria, que durou apenas dois números. Nas duas histórias, o incompreendido vilão atuou ao lado dos mocinhos e combateu o Homem de Dez Olhos e um novo vilão chamado Barão Tyme.

LIGA DOS ASSASSINOS

Detective Comics #405 trouxe o primeiro confronto de Batman com a Liga dos Assassinos. Ao ser encarregado pelo Comissário Gordon de proteger um magnata, Batman confrontou Tejja, um membro dos Assassinos. Batman conseguiu derrotá-lo, porém ainda ficou em dúvida sobre quem seria o líder dessa organização. Em Detective Comics #411, surgem Thalia Al Ghul e o suposto líder da Liga dos Assassinos, Doutor Darrk. Em confronto com o exército de assassinos da Liga, Batman acabou sendo preso, mantido em cativeiro e conhecendo Thalia, que aparentemente era apenas uma donzela em perigo. No confronto final com Darrk, Thalia lhe desfere um tiro para salvar a vida do Homem Morcego.

Batman #232 continuou a saga com Robin sendo raptado. Ao investigar, Batman chegou à Irmandade do Demônio, em Calcutá e à uma montanha no Himalaia chamada Nanda. Foi lá que Batman resgatou Robin e conseguiu descobrir que Ra’s Al Ghul, o verdadeiro líder da Liga dos Assassinos, estava por trás do sequestro. Como Thalia havia se apaixonado por Bruce, Ra’s queria testar suas habilidades para ver se ele realmente era o companheiro ideal para sua filha e herdeiro digno de sua organização criminosa.

Em Batman #243, o Cavaleiro das Trevas viajou até os Alpes Suíços para capturar Ra’s Al Ghul. Batman conseguiu encontrar o esconderijo do vilão, mas encontrou apenas o corpo sem vida do Cabeça de Demônio. A morte de Ra’s é confirmada e Batman, sendo acompanhado por Thalia, deixa o local. Secretamente, Thalia mergulha seu pai em uma solução alquímica capaz de lhe restaurar a vida, chamado Poço de Lázaro. Como efeito colateral desse processo, Ra’s tem temporariamente sua força aumentada, além de um surto de insanidade. O arco se finaliza em Batman #244, com o confronto final entre Batman e Ra’s.

ORIGEM RETCONADA

A origem do Batman foi recontada em Detective Comics #457, em março de 1976. Na trama, Batman vai foi visitar o Beco do Crime – local da morte de seus pais – e acabou salvando Leslie Thompkins de um assalto. Naquele momento, Batman relembra da noite em que seus pais foram assassinados e da jovem assistente social que o ajudou. Aquela jovem era a própria Leslie, e a partir daí o Homem Morcego passa a visitá-la na noite de aniversário da morte de seus pais. Em sua primeira aparição, Leslie foi retratada como uma frágil idosa. A personagem passou por uma reformulação em 1987, tornando-se a ativa diretora de uma clínica médica no Beco do Crime. As visitas anuais também foram ajustadas posteriormente e Batman passaria a deixar duas rosas vermelhas no local do assassinato de seus pais.

Durante a Era de Bronze, o Comics Code Authority estava bem mais brando, o que possibilitou um acréscimo de densidade nas histórias. O Coringa voltou às suas raízes homicidas, mais sanguinário do que nunca; surgiu o Ceifador, um sobrevivente do holocausto obcecado por vingança; o Asilo Arkham fez sua estreia nos quadrinhos e até mesmo Hugo Strange retornou de forma triunfal, tentando vender a identidade secreta do Cavaleiro das Trevas ao submundo de Gotham.

A década de 70 contou também a história do Batman da Terra-2, em All Star Comics #69. Os leitores puderam assistir ao casamento de Bruce Wayne e Selina Kyle, o nascimento da filha do casal e a morte de Selina. Bruce Wayne se tornou Comissário de Polícia após aposentar a capa e viu sua filha se tornar a Caçadora, uma nova vigilante mascarada. Mais a frente, esse Batman acabou morto em confronto com o vilão Bill Jensen.

O Batman dos anos 70 não só contribuiu para o nascimento da Era de Bronze dos quadrinhos, como estabeleceu o Cavaleiro das Trevas no papel do legítimo detetive, com o auxilio das sombras e das criaturas da noite. Com histórias que davam ênfase à psique do Cavaleiro das Trevas, a seus demônios interiores e traumas de infância, os anos 70 ajudaram a colocar Batman nos eixos e preparou terreno para o que estava por vir nos anos 80.