Anotações do Rebirth – Dark Days: The Casting #1

Dark Days: The Casting #1 continua a pavimentar o caminho que nos levará a Dark Nights: Metal, o evento idealizado por Scott Snyder e Greg Capullo. The Casting é a segunda parte da história que começou em junho em Dark Days: The Forge #1 e se aprofunda ainda mais em suas tramas: a história do Gavião Negro, a busca do Batman e o encontro de Hal Jordan e Duke Thomas com o Coringa.

Escrito por Snyder e James Tynion IV com arte de Andy Kubert, Jim Lee e John Romita Jr., Dark Days: The Casting #1 está repleto de easter eggs e potenciais pistas que nos levarão a Dark Nights: Metal.

A TRAMA

Talvez a mais intrigante das três histórias mostradas em The Casting pertence ao Gavião Negro, o que acaba sendo bastante curioso, já que o Gavião havia sido tratado de forma totalmente porca nos últimos anos. Em The Casting, ao invés abordar inicialmente a morte da Mulher-Gavião e do Gavião Negro no Egito, nos é mostrado que o antigo inimigo dos dois, Hath-Set, havia roubado seus respectivos passados. Em resposta, a dupla reuniu outros imortais e criaram uma aliança, tudo isso de forma a amarrá-los à atual cronologia da DC Comics. A parte que trata da história do Gavião Negro, assim como sua narração, chega ao final no momento em que ele adentra um portal extradimensional.

Enquanto isso, vemos o Batman recebendo da Mulher-Maravilha uma antiga espada e a trocando com Talia al Ghul por uma adaga, assim como também vimos o Lanterna Verde e Duke enfrentando o Coringa enquanto o Palhaço do Crime revela mais detalhes do misterioso passado de Duke. Essas subtramas convergem na Batcaverna quando o Batman reativa sua própria máquina da imortalidade, vista pela ultima vez no arco Peso-Pesado.

OS GAVIÕES ATRAVÉS DA HISTÓRIA

De início, com o risco de tornar a cronologia do Gavião Negro ainda mais confusa, vemos uma espécie de retcon ao definir St. Roch como seu lar nas primeiras décadas do século XX. É verdade que o Gavião Negro da Era de Ouro era um arqueólogo, mas St. Roch só viria a aparecer em 2002 em Hawkman #1, após o retorno de Carter Hall para a Liga da Justiça da América. Os uniformes usados por Gavião Negro e Mulher-Gavião se aproximam bastante de suas versões usadas durante a Era de Prata – especialmente o elmo usado por Carter, que torna seu rosto mais visível do que a versão usado durante a Era de Ouro.

Shiera Sanders também apareceu na primeira história do Gavião Negro em Flash Comics #1, de 1940. Entretanto, ela não usaria o uniforme de Mulher Gavião até All-Star Comics #5, de 1941, e não se tornaria oficialmente a Mulher Gavião até Flash Comics #24, que foi lançada no final de 1941.

As referências à Nabu e Kandhaq são easter eggs referentes ao Senhor Destino e ao Adão Negro. O comentário “nada além do que um detetive” pode não ser algo assim tão revelador, mas o Gavião Negro realmente já explorou seus dotes detetivescos por toda a década de 70 em Detective Comics.

Na página 2, vemos os 13 imortais reunidos. As vestes encapuzadas vermelhas são um detalhe sinistro – afinal, com o que esses seres estão envolvidos a ponto de terem de usar tais roupas? -, que indica que o que quer que eles estejam se preparando para discutir, é importante o suficiente para que todos estejam apresentados como uma célula única. Nós já sabemos quem são três deles e a narração de Carter nos apresenta aos restantes. Temos uma citação ao Demônio Rimador de Camelot, referência clara à uma das criações de Jack Kirby, Etrigan. Os “irmãos que mantiveram segredos e mistérios” são Caim e Abel, personagens baseados nos originais bíblicos. Caim foi criado por Bob Haney, Jack Sparling e Joe Orlando para ser o anfitrião da Casa dos Mistérios. Da mesma forma, Abel, criado por Mark Hanerfeld, Bill Draut e Joe Orlando para se tornar o anfitrião da Casa dos Segredos. Após isso, ambos se tornaram personagens de apoio em Sandman.

O “homem tão antigo quanto a América” é Tio Sam, apresentado por Will Eisner em National Comics #1, de 1940. Originalmente, o espírito de um revolucionário soldado de guerra, teve seu background expandido ao se tornar o Espírito da América. O “bosque de antigas plantas humanóides” se refere ao Parlamento das Árvores, criado por Alan Moore durante seu run em Monstro do Pântano. O parlamento consistia em plantas elementais que haviam se aposentado de suas missões como protetores da vida vegetal da Terra. A referência aos “feiticeiros” é algo vago, pois a DC Comics possui um monte deles. Durante a Era de Ouro existiu o feiticeiro Sargon e o mago Zatara, assim como Íbis, o Invencível e, claro, o Senhor Destino.

Não estamos certos do motivo do Gavião Negro se referir ao Cavaleiro Brilhante e ao Vingador Fantasma no plural, pois suas reais identidades sempre foram retratadas de maneira singular. E já que estamos falando de plural, os “homens das cavernas” sem dúvidas se referem ao Homem Imortal e seu arqui-inimigo, Vandal Savage – o que torna essa união bastante curiosa.

O Mago Shazam tem “a voz como o estrondo do trovão” e que “nos atingia como um raio”. Criado por Bill Parker e C.C Beck, ele guiou a Família Marvel por milhares de anos, desde Adão Negro à Billy Batson. Entretanto, acreditamos que sua adaga seja algo novo para seu cânone. “Ms. Seward” é Mary Seward, a Rainha de Sangue de Eu, Vampiro. Transformada em uma vampira em 1591 por seu amante, Andrew Bennett, eventualmente lideraria o clã de vampiros chamado Lua Sangrenta enquanto Andrew passaria os séculos tentando desfazer seu erro e derrotá-los. Já o companheiro de Mary, Ra’s Al Ghul, não precisa de apresentações.

A LÂMINA E O MORCEGO

Methana, Grécia, é um lugar que realmente existe e se situa em uma península vulcânica. Isso dá continuação ao tour feito pelo Batman que teve inicio no Triângulo das Bermudas, em The Forge. Anfitrião é um nome oriundo da mitologia grega, porém, ele não era um hipogrifo, e sim o homem que era casado com Alcmena, mãe de Hércules, quando Zeus tomou sua forma para se deitar com ela, gerando o famoso semideus.

Hefesto teve grande participação durante a fase de Brian Azzarello em Mulher-Maravilha. Entretanto, a Mulher-Maravilha explica ao Batman que os deuses se foram. Além disso, Apolo era melhor conhecido como um arqueiro do que como um espadachim. Talvez Diana possua a espada justamente devido Apolo não estar usando-a.

O Metal Octésimo (Eighth Metal, no original) está conectado ao Metal Enésimo. O que vemos aqui é, aparentemente, outro retcon, pois originalmente Hath-Set usou uma adaga de vidro para matar Khufu e Chay-Ara.

SINAIS E PRESSÁGIOS

O Coringa, basicamente, serve para nos recapitular dos acontecimentos de Fim de Jogo e dos papéis que os pais de Duke tiveram durante o arco, além de listar a maioria de suas aparições durante Os Novos 52. Eles nos relembra de quando cortou fora a pele de seu rosto em Detective Comics #1, de 2011; de quando tentou matar toda a Bat-família em Morte da Família; e de quando foi, aparentemente, curado pelo dionesium após os acontecimentos de Fim de Jogo.

O “morcego por trás do morcego” pode se referir a Barbatos, demônio morcego invocado por ocultistas no Século XVIII que atuavam no local onde futuramente seria fundada Gotham City. Como relatado em O Retorno de Bruce Wayne, Barbatos não era apenas um demônio qualquer que assombrava os alicerces de Gotham, mas sim um demônio com alta capacidade de adaptação enviado por Darkseid para perseguir o Batman ao longo do tempo e destruir toda a criação no processo. Naturalmente, ele falha em sua missão, e foi morto por Vandal Savage ainda na Idade da Pedra. A revelação de que “uma lágrima no tecido da realidade” trouxe o demônio morcego “do escuro” para esse mundo, sugere que ele veio do Multiverso Sombrio. Porém, é valido lembrar que o Multiverso Sombrio, supostamente, deveria ser algo completamente novo e não mais uma trama envolvendo Darkseid.

DESAFIADORES DO DESCONHECIDO

Gavião Negro e Mulher-Gavião passaram a maior parte do século XX ajudando os Falcões Negros e os Desafiadores do Desconhecido. Os Falcões Negros tem uma origem bastante mundana no período de guerras e os Desafiadores do Desconhecido só viriam a aparecer em 1957. Os Falcões Negros se aposentaram junto com resto da Sociedade da Justiça da América em 1951, e retornaram a ativa vários anos depois, após os eventos de Flash de Dois Mundos. Se o Gavião Negro e a Mulher-Gavião possuem o mesmo background, então seu trabalho junto às duas equipes abrange tanto suas aventuras no período das guerras quanto suas atividades pós-aposentadoria. A destruição da Montanha dos Desafiadores pode explicar o motivo da equipe não ter sido vista durante um bom tempo.

O ALIENÍGENA

Dubbilex, Cadmus e o Projeto DNA são oriundos da fase de Jack Kirby na revista do Jimmy Olsen durante os anos 70. Dubbilex é um humanoide modificado com um DNA alienígena, possuindo uma aparência de outro mundo e habilidade telecinéticas e telepáticas. Durante Os Novos 52, o Cadmus fora reformulado para que abrangesse o OMAC.

A referência às “ruínas de uma base militar secreta em uma montanha rochosa” aparenta se tratar dos restos da montanha dos Desafiadores do Desconhecido. A citação ao Silencer se refere à um dos spin-offs de Metal. Talia também comenta sobre o Poder do Shazam, que vêm do título de Jerry Ordway dos anos 90.

BATMAN ETERNO

A máquina usada por Bruce em Peso-Pesado é vista aqui novamente. Além disso, as grandes revelações parecem ser a conexão feita pelo Coringa sobre “meta” com “metal” – acreditamos que Batman tenha rastreado indivíduos com dionesium, Metal Enésimo ou outro material exótico em seus DNAs – e a forte sugestão, também feita pelo Coringa, é de que o futuro codinome de Duke será Signal.

A DESPEDIDA DOS GAVIÕES

As reflexões do Gavião Negro sobre seu último registro sugerem que toda a sua história, inclusive os momentos que se passam nos dias atuais, foram em grande parte flashbacks. Isso pode tornar seu cânone algo mais vago e assim muito mais fácil de se conectar com a minissérie Death of Hawkman. Ainda assim, esperamos que o Carter que vimos nessa edição de Dark Days tenha um destino diferente do que ocorreu a Katar Hol.

CRISE, DUKE E OS BATMEN

A medida que as subtramas de The Casting convergem, vemos o Coringa citar a palavra Crise e Hal Jordan mencionar a existência de três Palhaços do Crime. Já o Batman menciona as versões impossíveis de si mesmo morrendo, se referindo aos Batmen do Multiverso que foram vistos em Peso-Pesado.

Também vemos Hal Jordan fazendo uma duplicata de seu anel e emprestando para Duke. Essa habilidade de Hal Jordan é oriunda de uma história do Rebirth, quando Hal se tornou a representação pura da energia esmeralda.

Também é possível enxergar a máscara do Pirata Psíquico adquira pelo Batman após seu encontro com o Pirata na prisão do Bane em Santa Prisca. O Pirata Psíquico também é um dos poucos personagens da editora que se lembra do universo original pré-Crise, então é provável que sua máscara possua alguma conexão harmônica com o cosmos.

E Duke não apenas consegue usar o anel do Lanterna Verde como aparenta ter uma certa conexão com a adaga do mago Shazam. Nas páginas finais, temos o primeiro contato com personagens com o Multiverso Sombrio, com a aparição dos sete Batmen.

Dark Nights: Metal #1 tem data de lançamento marcada para 16 de agosto.