Análise d’Os Novos 52 – O Movimento

Como parte do reboot d’Os Novos 52, a DC Comics lançou O Movimento (The Movement, no original), título sobre um grupo de mesmo nome que se envolve em tramas relacionadas à ocupações culturais, lutas de minorias e cyber-ativismo. Com roteiro de Gail Simone e arte de Freddie E. Williams II, a história se passa em Coral City – mais precisamente no subúrbio, no bairro do Tweens -, onde um grupo de jovens com superpoderes, inspirados pela Liga da Justiça, resolve formar um grupo de vigilantes para lutar contra os abusos de poder dos policiais e políticos da cidade. Para auxiliá-los, existe uma rede de cidadãos que pertence ao Canal M, um site onde as pessoas postam vídeos das injustiças em tempo real; se algum incidente do tipo ocorre, a equipe de heróis aparece para dar conta do problema. Algo interessante na caracterização da equipe é a referência à V de Vingança, onde os apoiadores usam máscaras para apoiar O Movimento.

Além dos problemas sociais, os heróis também têm que enfrentar supervilões e se preocupar com suas vidas de adolescente – e todas as adversidades que vem com a fase. Essa é uma premissa recorrente dentro do mundo dos quadrinhos que normalmente gera bons resultados, e Gail Simone se esforçou ao máximo para dar verossimilhança à esses momentos. Os personagens são bem construídos e suas motivações até que são interessantes. A líder Virtude (Holly) tem o poder de captar os espectros emocionais, o que dá à ela uma percepção psíquica dos adversários; Ratazana (Jaden) fala, age e controla ratos – sim, meio bizarro, mas muito bem aproveitado por Simone -; Burden (Chritopher) manipula biologicamente o próprio corpo e acredita estar possuído por um demônio; Mariposa Vingadora (Drew), uma garota cadeirante que manipula energia; Tremor (Roshanna), que manipula terra – ela já havia aparecido como personagem de Simone quando estava à frente do Sexteto Secreto -; e por último, Catarse (Kuplap), que possui asas mecânicas e habilidades de luta acima da média – também já era personagem de Gail Simone e esteve presente em um arco de Batgirl.

Os vilões, questões pessoais e as críticas sociais são razoavelmente bem trabalhadas. Logo na primeira edição já nos deparamos com situações de abuso de poder por parte de policiais e um serial killer super-humano que caça os sem-teto da cidade para colecionar seus olhos. Com isso, temos o tom em que a revista vai seguir: uma luta contra a corrupção e injustiça contra os menos favorecidos – a ponto de invadirem um departamento de polícia pra resgatar uma das companheiras de equipe.

O grande problema do título foi a sua pressa. Simone tinha o interesse de mostrar o potencial de seus personagens antes de um possível cancelamento do título – que já se anunciava -, e isso deixou algumas pontas soltas, como personagens com background inacabado e vilões que desapareciam sem nenhuma explicação. A arte de Freddie E. Williams II não deixa a desejar, e acompanha o ritmo rápido da história, além de ser um traço bem jovial – o que casa super bem para uma equipe de adolescentes. Algumas capas também apresentam um certo charme, algumas delas referenciando cartazes de recrutamento do exército americano.

Como era de se esperar, O Movimento acabou sendo cancelado na edição #12, após um ano de publicação. Em seu Twitter, Gail Simone deixou claro o apoio por parte da DC Comics de tentar fazer a revista acontecer e da possibilidade dos personagens serem utilizados em outras revistas da editora, indicando que ela conseguiu seu objetivo. Ao final, temos uma história que aborda temas importantes, mas que se prejudicou ao tentar apresentar muito em pouco tempo. Se for ler, faço-o sem compromisso.