Análise d’Os Novos 52 – O.M.A.C.

Comecei a duvidar de minha sanidade no momento que aceitei a missão de escrever esta análise. O.M.A.C. está entre os piores quadrinhos já feitos na história da indústria, sendo confuso, desnecessário, mal escrito, porcamente rabiscado e com uma trama que tem mais furos que um queijo suíço. Qualquer leitor poderia, e deveria, jogar Dan DiDio pela janela do último andar do edifício da DC apenas por causa desta atrocidade – não que os leitores de quadrinhos não tenham muitos outros motivos para tentar matá-lo, mas em O.M.A.C. ele chutou o pau da barraca.

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Para quem não conhece, O.M.A.C. é uma criação de Jack Kirby, aparecendo pela primeira vez em 1974 em sua revista própria. Nessa primeira aparição, O.M.A.C. era um acrônimo para One Man Army Corps (Exército de Um Homem Só, numa tradução livre) e seu alter-ego se chamava Buddy Blank. Após Crise nas Infinitas Terras, o personagem teve três versões distintas, sendo uma delas um Buddy Blank da realidade principal, e a outra versão sendo um grupo de ciborgues criados pelo Irmão-Olho, onde O.M.A.C. significava Omni Mind And Comunnity (Comunidade e Mente Únicas). Por último, tivemos o Último OMAC, cujo o alter-ego era Michael Costner. A versão d’Os Novos 52 do personagem que, para todos os efeitos, possui o significado de Operativo Mecatrônico de Ação Combativa é o alter-ego de Kevin Cho.

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Todo mundo sabe que trabalhar no Cadmus é pedir para desgraça acontecer em sua vida. Um belo dia, Kevin estava no banheiro e foi contatado pelo Irmão-Olho para se tornar a arma-viva perfeita e ganhar um moicano maneiro toda vez que pronunciasse a palabra “omactivar“. Depois de destruir o prédio do Cadmus, O.M.A.C. ruma para o subsolo, onde o verdadeiro Cadmus está. Lá ele continua causando destruição até Irmão-Olho infectar o computador central do lugar, o chutado para o Texas. A partir daí, a gente percebe que a revista funcionará no formato “missão da semana”, como acontece em séries de TV de canal aberto. Contudo, nos quadrinhos, isso é apenas uma solução porca de maus escritores para mostrar muitas coisas sem necessidade e parecer que tem muito conteúdo. No caso de O.M.A.C., a missão da semana se resume em: Irmão-Olho manda Kevin para algum lugar estranho, Kevin se transforma em O.M.A.C. a contragosto, desce a porrada em alguém, o Irmão-Olho infecta algum computador ou alguém e pega algo confidencial para seu nunca revelado “plano maior”. Essa fórmula se torna massante em poucas edições, tirando a vontade dos leitores de acompanhar este já duvidoso trabalho do sr. DiDio. A inabilidade do sujeito em trabalhar a trama é assustadora.

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Trama confusa, furos de roteiro e motivações inconsistentes são apenas alguns dos problemas dessa verdadeira atrocidade cometida por DiDio, que fez Jack Kirby se revirar no além. A arte de Keith Giffen pode facilmente figurar entre as piores que ele já apresentou em sua carreira, tentando emular o estilo de Kirby. Infelizmente, ele só consegue mesmo é passar vergonha, ao reduzir seus desenhos à uma pilha de rabiscos estranhos.

A deturpação causada por DiDio nessa revista atinge outros personagens no processo, como sua utilização forçada e minúscula do Superman ou o grupo de animais falantes criados por Simyan (outra criação obscura de Kirby). Suas criações autorais, entretanto, são escritas de forma para ficarem pior ainda. Psy-Man, Amazing Man e Leilani Lugo são horrorosos, tanto em design quanto em personalidade, fora que suas aparições não contribuem em quase nada para a trama.

No ato final, Kevin acaba preso na forma de O.M.A.C. e sua história termina com ele melancólico, aprisionado em um corpo monstruoso e sem esperanças de encontrar uma forma de voltar ao normal. Um final triste para uma leitura deprimente. Os mais corajosos podem continuar a ler a história de Kevin Cho em Liga da Justiça Internacional, que, coincidentemente, terá um post em breve aqui no Gloriosa DC como parte desta iniciativa de reviews d’Os Novos 52. Não deixem de conferir!

Alerto para passarem longe desta versão do O.M.A.C., aliás, passem longe de tudo que tiver Dan Didio na capa. Este homem é um monstro que apenas quer saber de deturpar criações de outras pessoas e de cagar em suas próprias. Se você quer realmente conhecer um O.M.A.C. que preste, leia Multiversity ou os materiais mais antigos do personagem que, com certeza, não lhe ofenderão tanto quanto esta patética tentativa de modernizar uma obra já consagrada, mas que só conseguiu ser ofensiva.

  • MateusDrake

    Uma excelente análise para um sofrível quadrinho.
    Só acho errado dizer que o que foi dito sobre o DiDio.
    …Faltou dizer que ele cometeu muito mais atrocidades quando ele não estava atuando como roteirista…

    • Matheus Skywalker

      Toda crítica ao DiDio é pouca kkkkk

  • Eduardo

    Acho que o único OMAC “contemporâneo” que prestou foi o do John Byrne – pela história, mas não sei se vale como cânon.