Análise d’Os Novos 52 – Fim dos Tempos

A DC Comics possui uma relação especial com revistas de periodicidade semanal. Desde 2006 a editora sempre tentou emplacar séries semanais que trabalhassem muitos personagens e que fossem importantes para a evolução do Universo DC. Durante Os Novos 52, a mesma técnica utilizada na bomba Contagem Regressiva Para Crise Final foi repetida: um título semanal pavimentando o caminho para um grande evento – que, no caso, seria Convergência. Então nasceu Fim dos Tempos.

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35 anos no futuro do Universo DC, o Irmão Olho – uma inteligência artificial onipresente – domina a Terra, transformando a maioria dos heróis e vilões em ciborgues. Como último recurso, Terry McGinnis, o Batman do Futuro, é enviado para o passado, com o objetivo de impedir a criação do Irmão Olho. Mas alguns problemas ocorrem durante a ativação de um dispositivo temporal e Terry retorna apenas 30 anos, caindo numa época tumultuada, onde muitos heróis deixaram de ser o que eram. A partir do ponto de vista de Terry, somos apresentados aos elementos desse Universo DC de um futuro não muito distante, na medida em que o herói deslocado improvisa um plano para destruir o Irmão Olho no passado.

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Escrito por Brian Azzarello, Jeff Lemire, Dan Jurgens e Keith Giffen, Fim dos Tempos, infelizmente, não fez jus à primeira série semanal da DC, 52. O time de gabaritados roteiristas tinha em mãos um material rico e uma cronologia relativamente flexível para trabalhar uma aventura de uma literal corrida contra o tempo e explorar elementos de um Universo DC que está caminhando para uma distopia. O que acabou sendo entregue foi uma história com bons conceitos, porém que se perdeu em tramas que levavam a lugar nenhum, salvo algumas exceções. Tramas longas exigem um planejamento cuidadoso, ainda mais no nível de periodicidade semanal, contudo, boas ideias se perdem entre tramas sem pé nem cabeça, que confundem o leitor – que fica sem saber se leu algo bom ou não -, além de desperdiçar personagens que tinham grande potencial, como a nova Nuclear, o próprio Batman do Futuro – agora “oficialmente” parte da cronologia do Universo DC tradicional -, o mistério por trás do novo Superman, entre outros personagens que acabaram ficando de lado.

Originalmente visando comemorar o aniversário de 30 anos de publicação de Crise nas Infinitas Terras, Fim dos Tempos passou longe de honrar sua obra inspiradora, porém, nem tudo é um completo desastre. Como a publicação serviu para apresentar aos leitores o futuro grande evento da editora, Convergência, há detalhes da história que realmente valeram a pena, como o surgimento do Brainiac Prime. A volta do Superman de seu exílio auto-imposto, a revelação da verdadeira identidade do novo Superman de Metropolis e a derradeira batalha nas ruas da cidade – onde somos apresentados ao que talvez seja o combate mais marcante entre o Homem de Aço e o vilão Brainiac – provocou arrepios até mesmo no leitor mais descontente com a história. Ainda assim, foi um presente dado ao final de uma longa e cansativa jornada.

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Não só a aparição do Brainiac fusionado com todas as suas versões de Terras paralelas, mas também a citação à Lua de Sangue e outros elementos de Convergência instigaram os leitores a querer saber mais sobre o que aconteceria posteriormente, mas a falta de planejamento final acabou atrapalhando algo que poderia ter sido memorável e um deleite para os fãs que gostam de uma boa história com vários personagens coadjuvantes ganhando destaque.

As edições alternam entre vários eventos que acontecem de forma simultânea entre distintos núcleos de personagens diferentes. Acompanhamos a missão de Terry para consertar seu futuro, uma aventura espacial de Frankstein com o Stormwatch, uma conspiração investigada por Lois Lane e até mesmo uma Liga da Justiça fragilizada após uma guerra contra Apokolips. Excelentes conceitos que não influenciam na trama principal ou demoram muito para se conectar uns com os outros, criando a sensação de que a história não tem rumo. E quando eventos importantes finalmente ocorrem, são utilizadas saídas fáceis de roteiro, tornando todo o desenvolvimento de expectativa uma perda de tempo.

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Apesar das capas maravilhosas e a alta expectativa em torno do evento e suas ramificações nas demais revistas, Fim dos Tempos foi uma série conduzida de forma confusa e displicente em relação a tudo o que vinha sendo publicado no mesmo período. No final, o leitor percebe que poderia ter sido muito melhor se, talvez, não fosse uma série semanal, com mais tempo para planejar melhor as histórias e focar no que realmente deveria ser, uma aventura com heróis enfrentando seus medos, seus nêmeses e, por mais que ocorram dificuldades, superá-las e salvar o dia. Simples e efetivo. Quem sabe na próxima.