Análise d’Os Novos 52 – Comando Zumbi

O reboot d’Os Novos 52 foi recebido de forma não muito calorosa pelos fãs da DC Comics. A iniciativa prometia trazer ar fresco para os títulos, tirando o peso cronológico de décadas. Com isso, a Editora das Crises emplacou as famigeradas 52 revistas que pretendiam ser mantidas ad infinitum. Da primeira onda de lançamentos, muitos títulos foram cancelados rapidamente e revistas de qualidade duvidosa, como Liga da Justiça, de Geoff Johns, apenas continuaram por ter um nome de peso.

Em contrapartida, tivemos títulos obscuros e que, em sua maioria esmagadora, não venderam o suficiente para durar muito tempo. O.M.A.C. e Equipe Verde são exemplos que, visivelmente, falharam por culpa do argumento e da equipe criativa. Entretanto, para a nossa surpresa, Comando Zumbi veio na contramão dessas histórias underground porcas.

Justin Gray, Jimmy Palmiotti e Scott Hamptom fizeram um verdadeiro milagre em Star-Spangled War Stories feat. G.I. Zombie (Histórias Patrióticas de Guerra Apresentando Comando Zumbi, numa tradução literal), transformando uma história que tinha tudo para dar errado em uma experiência divertida.

A história é bem escrita e é uma diversão digna dos filmes trash de zumbi. Jared Kabe, o protagonista, é um um zumbi imortal que serve o exército em missões secretas. Ele sempre sabe o que fazer, porque na maior parte das vezes, já sofreu o que está prestes a infligir em seus oponentes. Jared é imortal, tem regeneração rápida e força acima da média – além de treinamento militar e décadas de experiência. Carmen King, também chamada de Tiff, é a parceira de Jared e a segunda protagonista. Ela é uma soldado que está trabalhando infiltrada para descobrir um esquema de contrabando de armas nucleares ilegais. Carmen consegue ser uma ótima informante durante a história e serve de elemento narrativo para a apresentação dos vilões.

Os vilões não deixam a desejar, embora careçam de profundidade. Claro que não podemos exigir isso de uma história descompromissada, e os vilões aqui não são o foco da revista, uma vez que os roteiristas se preocupam mais em dar para Scott Hamptom cenas legais para desenhar. Todavia, é algo bem vindo. E sejamos sinceros, olha o nome da revista. Por acaso você esperava o próximo Watchmen vindo disso?

A história é louca e desgarrada do Universo DC, e é por isso que ela funciona. É uma história para você sentar, ler e se divertir, sem ter que se preocupar como vai acabar ou quais as consequências que uma bomba com um vírus zumbi pode causar se cair no meio de uma cidade cheia de meta-humanos. Ainda assim, o título tem um fundo crítico. Colocar um zumbi para ser o agente do governo e usar cidadãos comuns para serem os vilões é uma jogada arriscada, ainda mais em uma revista que sai por uma editora grande e se passa no mesmo universo que heróis como Superman e Batman. A arma suprema dos vilões, uma bomba com o vírus zumbi, pode ser interpretada como uma metáfora.

Os problemas da revista, curiosamente, são o que a tornam boa. Não ter nada amarrado à cronologia do Universo DC nos faz questionar o porquê dela estar no meio de tantas revistas de heróis e vilões. Ela claramente seria muito melhor aproveitada – e quem sabe duraria muito mais – se estivesse em outro selo e não no universo principal (algo que aconteceu durante o DC You com a revista Prez). Isso contribuiu para as baixas vendas do título, que tinha um nome incrivelmente longo e espalhafatoso para uma premissa ainda mais espalhafatosa.

Infelizmente, jamais veremos essa revista no Brasil, uma vez que apenas o tie-in de Fim dos Tempos saiu por aqui. E sendo bastante realista, é provável que ela não saia nem em encadernado. No final, a revista em si é um bom entretenimento que não atrapalha a continuidade do resto do Universo DC – diferente de O.M.A.C., por exemplo. Comando Zumbi passa a impressão de que, se saísse por outro selo da DC Comics, teria o reconhecimento que merece. Ainda assim, é um título que deve ser procurado.