Análise d’Os Novos 52 – Batwing

Criado por Grant Morrison e Chris Burnham para Corporação Batman, Batwing é um personagem baseado em um antigo conceito dos quadrinhos do Batman, que explora a ideia de um Batman agindo na África. Por ter se destacado nas páginas de Corporação Batman, o herói ganhou um título solo durante Os Novos 52. O título correu por 34 edições e teve contribuições de Judd Winick, Fabian Nicieza e Justin Gray & Jimmy Palmiotti.

Durante a fase orquestrada por Judd Winick somos apresentados ao herói David Zavimbe e como ele se tornou Batwing. Zavimbe decidiu entrar para a carreira heroica por conta de seu passado, que constantemente lhe trazia um sentimento de remorso, já que na infância ele serviu à um exército particular e cometeu alguns crimes, num paralelo real com as atrocidades cometidas durante guerras e conflitos na África Subsaariana. O roteirista, se aproveitando de artifícios cronológicos, aproveitou para criar um grupo de super-heróis africanos conhecidos como O Reino, para incrementar ainda mais a mitologia do título.

A grande ameaça do run de Winick é o vilão Massacre, que começou a caçar e matar antigos membros d’O Reino. Apesar dessa equipe não sofrer muito desenvolvimento – em alguns momentos parecendo até mesmo um grupo de super-heróis genéricos – e não influenciar na evolução de Batwing, o primeiro arco se destaca pela apresentação crua dos problemas sociais africanos. A arte de Ben Oliver ajuda muito na contextualização da história ao criar uma arte realista com um cenário rico, que explora visualmente as desigualdades da República Democrática do Congo.

Com a saída de Judd Winick do título, Fabian Nicieza assumiu brevemente apenas para finalizar a história já desenvolvida. Ele explorou corrupção policial e tentou tornar Batwing algo diferente do Batman, já que Zavimbe vinha sendo representado simplesmente como um Batman africano, quando sua realidade e modus operandi eram completamente diferentes do herói de Gotham City.

Ao assumir o comando de Batwing, Justin Gray & Jimmy Palmiotti chacoalharam tudo. De início, aposentaram David como herói, colocando o lutador de MMA Luke Fox como o novo Batwing. O tom da revista mudou consideravelmente, com a seriedade de David dando lugar ao sarcástico Luke.

Batwing foi uma revista com altos e baixos. Apresentou conceitos interessantes, mas que foram pobremente desenvolvidos. A mudança de protagonista afeta a proposta da revista e pode incomodar o leitores que estavam mais interessados no engajamento social da fase de Judd Winick. Apesar disso, é um título que vale a leitura.

  • Lucas Cantanhede

    Gostei demais de acompanhar esse título durante os novos 52