Análise d’Os Novos 52 – Batman

Desde a sua estreia em Detective Comics #27, o Batman já protagonizou milhares de histórias – algumas que beiram a insanidade do ridículo e algumas extremamente sombrias e impactantes. Ao longo dos 78 anos de sua existência, o Vigilante de Gotham já sofreu do melhor e do pior. Mas talvez o pior inimigo do Homem-Morcego tenha sido o reboot d’Os Novos 52.

Com histórias escritas por Scott Snyder e ilustradas majoritariamente por Greg Capullo, o título principal do Batman teve uma proposta sólida que foi executada de forma medíocre. Durante 52 edições, 5 especiais e uma edição #0, Batman investigou uma sociedade secreta em Gotham City, enfrentou o Coringa em mais de uma ocasião, teve sua origem recontada e ainda foi dado como morto e substituído.

Cada arco escrito por Snyder tinha uma proposta interessante que sempre era alimentada pelas altas vendas e pela acessibilidade das histórias. Mas a incapacidade do roteirista de finalizar suas aventuras, com o avanço do título, se torna um obstáculo na leitura. De absurdos desde a criação de um suposto irmão maligno de Bruce Wayne até uma luta entre robôs gigantes em Gotham City, Scott Snyder vem tentando nos mostrar que o universo do Batman é insano, mas seus exageros são tão grandes que essa insanidade dá lugar apenas ao ridículo.

Um exemplo claro disso é a participação do Coringa no arco Morte da Família. A ideia de colocar o vilão com o rosto amputado nos causa calafrios, mas sua execução é tão exagerada – com direito ao Coringa realizando um tribunal com pessoas fantasiadas de heróis – que perde todo o peso da história. Esse é apenas um dos exemplos de um vício narrativo que pode ser expandido para qualquer arco do Batman do Snyder. E por conta disso, tivemos momentos desnecessários como Alfred tendo sua mão cortada, Superman sendo derrotado com um chiclete de kryptonita e Batman negando veementemente a existência da Corte das Corujas, mesmo com inúmeras evidências registradas.

Ainda assim, nem tudo foi um grande desastre. Scott Snyder contribuiu para a mitologia do Morcego com a criação de personagens como Harper Row e Duke Thomas e pavimentou o caminho para o ressurgimento de Stephanie BrownCassandra Cain, embora as duas só sejam apresentadas depois em outros títulos.

A apoteose do título é o arco Peso-Pesado, no qual Jim Gordom se torna o novo Batman, equipado com uma super armadura de combate. Mesmo com seus vícios, é no encerramento de seu run que Scott Snyder nos apresenta sua história mais dinâmica, que desenvolve alguns personagens sem o medo de desrespeitar o cânone estabelecido há décadas.

Com altos e baixos, Batman conseguiu se tornar um título que entretém, embora seja recheado de falhas. As expectativas nunca são correspondidas e a narrativa problemática se torna um grande problema para quem for ler o título de uma vez só. Apesar de ser uma fase estrondosa na carreira do Homem-Morcego, está longe de ser um run sólido com o personagem.