A reinvenção das Aves de Rapina durante o Rebirth

Os fãs das Aves de Rapina sabem que os últimos anos não foram fáceis para uma das maiores representações de girl power da DC Comics. Desde o reboot d’Os Novos 52, o time feminino sofreu com equipes criativas pouco inspiradas e histórias mal planejadas.

Na época, fomos apresentados à uma equipe incomum formanda por uma Canário Negro extremamente descaracterizada, com uma personalidade conturbada que projetava na equipe traumas e inseguranças, sem fazer a mínima ideia de como resolvê-los. A cronologia era tão bagunçada que até hoje não sabemos, de fato, quem fundou a equipe, se foi a própria Dinah Lance ou Barbara Gordon, a Batgirl.

Apesar da demorada turbulência, a salvação veio. Com uma premissa simples e eficiente, as roteiristas Julie e Shawna Benson colocaram a equipe nos trilhos. No primeiro arco do Rebirth, Canário Negro e Batgirl procuram uma suposta pessoa que está usando o codinome Oráculo para vender informações para o crime organizado. Mais do que uma aventura normal, esse trabalho se torna pessoal para Barbara, que por muitos anos usou o mesmo codinome para ajudar a comunidade heroica do Universo DC.

Em suas buscas, as duas encontram Helena Bertinelli, a Caçadora, que está caçando impiedosamente mafiosos em busca do farsante de codinome Oráculo. Aparentemente, Helena não apenas abandonou a Spyral – e o codinome Matrona, como visto em Grayson -, como se tornou uma justiceira feroz e implacável. Encarada inicialmente como uma ameça, Helena auxilia Babs e Dinah na busca pelo farsante, mas seu modus operandi incomoda Batgirl.

Algo que sempre incomodou na equipe d’Os Novos 52 era a forma como as Aves não se comportavam como uma equipe; as coisas desandavam e tudo saía do controle das heroínas. Agora no Rebirth essa característica se mantém, mas as roteiristas possuem um bom motivo para manter essa inconstância.

Apesar de Dinah e Bárbara serem amigas de longa data, as duas sempre tiveram as suas diferenças, e trabalhar com uma terceira pessoa indisciplinada apenas intensifica esse atrito entre as duas. A revista tem o melhor da representação feminina que a DC poderia nos dar, mas a trama elaborada não tem força, fazendo a revista funcionar apenas como um mero passatempo, ao invés de oferecer algo épico e marcante.

O Rebirth se preocupou em restabelecer o legado dos heróis do Universo DC, mas algumas vezes os roteiros não se preocuparam em estabelecer uma forte ligação entre os personagens antes de reatar laços do pré-Flashpoint. Foi o que aconteceu em Arqueiro Verde, por exemplo. O prematuro relacionamento entre Dinah e Oliver Queen foi estabelecido apenas como um capricho editorial para agradar os fãs, com os alicerces desse relacionamento sendo deixados para serem construídos com o desenvolvimento do título. O espírito é o mesmo em Aves de Rapina, apesar de que durante o Rebirth a equipe está muito mais bem trabalhada do que durante Os Novos 52.

O roteiro até agora se preocupou apenas em reunir a formação clássica da equipe, sem sua essência. Se o padrão se manter, vai se tornar um título difícil de acompanhar, porque não vai passar de aventuras descompromissadas – e para isso temos Capuz Vermelho do Scott Lobdell. O único ponto alto do trabalho das irmãs Benson é explorar a forma como a equipe luta para permanecer unida, apesar de todas as diferenças. Ainda assim, está mais do que na hora das Aves de Rapina entregarem uma história que use o máximo da essência de seus personagens e que seja de tirar o fôlego.

  • RealSpidey ex The new Avenger

    eu não consegui ler nem o primeiro arco pois não gostei dos desenhos

    • Hortência Dias

      Eu adorei a arte, tanto as capas quanto o miolo.