A Morte e o Retorno do Superman

Em 1992, Superman mantinha uma posição editorial estável. Ele estrelava quatro títulos – Action Comics, Superman: The Man of Steel, Superman e Adventures of Superman – que possuíam uma continuidade invejável, graças ao grande grupo supervisionado pelo editor Mike Carlin. Assim, chegou um momento em que o grupo decidiu que Lois e Clark deveriam se casar. O relacionamento dos personagens se desenvolveu fortemente desde Crise nas Infinitas Terras e o momento certo parecia ter chegado. No entanto, os executivos da Warner Brothers acharam pertinente que o casamento do Superman nos quadrinhos deveria ser simultâneo ao casamento do Homem de Aço na série Lois e Clark: As novas aventuras do Superman. Esse planejamento acabou não dando certo e fez a equipe editorial repensar suas ideias e colocar em prática uma brincadeira que corria entre eles há anos: matar o Superman.

Com um time de roteiristas composto por Dan Jurgens, Louise Simonson, Roger Stern, Jerry Ordway, Karl Kesel, William Messner-Loebs e Gerard Jones, A Morte do Superman começou calma. Enquanto Superman cumpria obrigações de herói em Metropolis, uma figura surgiu abaixo da terra, revelando sua natureza violenta. Após vagar entre vários estados causando grande destruição e mortes, ela topa com a Liga da Justiça da América, que apareceu para conter o problema. Com as mãos amarradas nas costas – literalmente -, a criatura mandou Ted Kord para o coma, quase matou o Caçador de Marte – que na época estava disfarçado de um herói chamado Bloodwynd – e danificou o traje de energia do Gladiador Dourado. Inclusive, foi o Gladiador que nomeou a criatura de Apocalypse (Doomsday, no original), pela natureza selvagem e incontrolável do monstro.

Após a derrota da Liga da Justiça, Superman entrou em cena. O que se seguiu foram páginas e mais páginas de luta entre os dois. Quanto mais a batalha se desenvolvia, mais da aparência de Apocalypse era revelada. Por baixo da cobertura de lona verde, se revelou uma criatura cinza coberta de ossos afiados. Cada vez que Superman socava uma dessas protuberâncias, ele se machucava. E o embate seguiu, com a fúria de Apocalypse sendo levada para o centro de Metropolis.

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Na rua em frente ao Planeta Diário, Superman e Apocalypse travaram os últimos momentos de seu combate mortal. Em Superman #75, a batalha se concluiu com os dois adversários acertando socos simultâneos um no outro, culminando na morte de ambos. Como uma espécie de contagem regressiva, todas as revistas anteriores vinham com um número definido de quadros por página, que iam se reduzindo conforme o passar das edições, que culminou nas splash-pages de Superman #75. Essa decisão narrativa funcionou, e passou para os leitores uma carga muito mais dramática.

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A história chocou e dividiu os leitores. Um monstro desconhecido matou o Superman ao invés de um plano brilhante do Lex Luthor? Nenhuma ameaça cósmica vinda de Brainiac? Não, foi o Superman sendo socado até a morte por um novo personagem com quem os leitores não tinham nenhum apego emocional. Independente das polêmicas, a história foi um estrondoso sucesso.

Enquanto A Morte do Superman foi econômica na caracterização de alguns personagens, os contos que seguiram Superman #75 foram carregados. Imediatamente após a morte se iniciou Funeral para um Amigo, que mostrava o impacto da morte do Superman no Universo DC. O momento mais marcante para a história dos quadrinhos foi quando o corpo do Escoteiro foi sepultado em um memorial em Metropolis, acompanhado por um cortejo formado por inúmeros heróis.

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O momento mais emocionante da edição foi quando Lois Lane ligou para Martha e Jonathan Kent pela primeira vez após a morte de Clark. A essa altura da cronologia, Lois já sabia a identidade do Superman, e sabia também que os Kent assistiram seu filho ser morto em rede nacional e várias e várias vezes depois, nos replays da batalha. A conversa foi carregada de emoção e cheia de lágrimas.

Enquanto a família de Superman se recuperava de sua morte em silêncio, os outros heróis tiveram que preencher o vazio que o Homem de Aço deixou. A Supergirl começou a patrulhar Metropolis, enquanto vários ex-membros da Liga da Justiça tentavam assumir parte das responsabilidades do Superman. Essas histórias ajudaram a explicar o quão Superman é importante para o mundo, e como sua falta será sentida.

Para Jonathan e Martha Kent, não foi apenas Superman que morreu naquele dia, mas também seu único filho, Clark. Jonathan ficou tão destruído emocionalmente a ponto de sofrer um ataque cardíaco enquanto relembrava momentos com seu filho. Mesmo levado às pressas para o hospital, seu coração parou. E numa sacada genial da DC, a linha de revistas do Superman entrou em hiato, dando a ideia de que toda a trama envolvendo o Homem de Aço terminou ali, com a suposta morte de seu pai.

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Três meses depois, as revistas da linha do Superman começam a ser publicadas novamente. Partindo de onde tinha parado, Jonathan se encontra em uma vida após a morte, onde ele vê a alma de Clark ser seduzida por demônios. Jonathan deu ao seu filho força de vontade para lutar contra as tentações, e juntos, eles deixaram esse afterlife.

Acordando em um hospital de Smallville, Jonathan conta para Martha que ele conseguiu salvar seu garoto. Acreditando que Jonathan tinha alucinado enquanto estava entre a vida e a morte, Martha fica chocada ao saber que quatro homens estavam agindo como Superman. Seria um deles Clark renascido? E aí se inicia O Retorno do Superman (Reign of the Supermen, no original). A essa altura, a legião de fãs que começou a acompanhar as histórias do Superman já estava louca esperando as novas histórias, e as vendas nunca estiveram tão altas.

Os quatro Supermen que surgiram ficaram conhecidos por seus apelidos. O primeiro era uma pessoa difícil e emocionalmente distante que ficou conhecido como O Último Filho de Krypton. John Henry Irons era conhecido como O Homem de Aço, e, posteriormente, apenas como Aço. Um Superman ciborgue ficou conhecido como O Homem do Amanhã. E, finalmente, um jovem clone do Superman, Superboy, ficou conhecido como O Garoto de Metropolis.

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Conforme O Retorno do Superman seguia, parecia claro que nem Aço nem Superboy eram o Superman original. Mas muito mistério se criou entre O Último Filho de Krypton e o Superciborgue. O Último Filho de Krypton se parecia fisicamente com Superman, e usava a Fortaleza da Solidão como sua base de operações. Havia também a Matriz de Regeneração, que parecia dar a este Superman os seus poderes. Já o Superciborgue ostentava um DNA exato com o do Superman original e peças de metal 100% kryptonianas.

Apenas dois meses depois, a Matriz de Regeneração abriu, e respostas começaram a serem dadas lentamente. Fora da Matriz, surgiu uma figura familiar trajando um uniforme kryptoniano preto. Kal-El havia retornado a vida, mas sem uma explicação plausível.

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Enquanto isso, Superciborgue começou a mostrar sua verdadeira índole. Quando uma nave alienígena gigante surgiu acima de Coast City – cidade natal de Hal Jordan -, Superciborgue e O Último Filho de Krypton foram investigar. Tornou-se claro que a nave veio para destruir a cidade, e Superciborgue queria se certificar que a nave cumprisse seu objetivo. Para evitar maiores complicações, ele tentou matar O Último Filho de Krypton.

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Os alienígenas, liderados por Mongul, destroem completamente Coast City, matando milhões de pessoas. Mais tarde, o Superciborgue se revelou como Hank Henshaw, um antigo vilão do Superman. Hank agora era nada mais do que uma consciência que poderia infectar tecnologia. Da última vez que foi visto, Hank voava à deriva em espaço profundo após roubar a nave que trouxe Kal-El à Terra. Quando soube da Morte do Superman, Hank voltou com upgrades, graças à nave kryptoniana. Hank foi capaz de criar um novo corpo – com um novo DNA – idêntico ao Superman original, para enganar a todos. Seu plano era transformar a Terra em uma potência tecnológica que iria governar o universo, um novo Mundo Bélico.

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Pouco depois, ficou claro que o que tinha acontecido à Coast City não era um evento isolado, e estava prestes a se repetir em Metropolis. Superman, ressuscitado, conseguiu chegar em sua cidade e convencer Lois de que ele não era um impostor. Ansioso para encontrar os seus substitutos, Kal-El se uniu à Aço e Superboy para investigar o que aconteceu em Coast City.

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Agora todos estavam convencidos que Superman era o real Superman. Principalmente quando convencidos por um regenerado Último Filho de Krypton, que se revelou como um antigo artefato kryptoniano conhecido como Erradicador – basicamente, o objetivo dele era fazer com que resquícios de Krypton existissem no universo. O Erradicador usou a tecnologia da Fortaleza da Solidão para trazer o Superman de volta à vida. Se não fosse pela Matriz de Regeneração, Kal-El estaria morto para sempre.

Ao final do arco, o Erradicador se sacrifica para que Superman ganhasse de volta seus poderes e, junto com Aço e Superboy, o Homem de Aço original derrota o Superciborgue e acaba de uma vez com os seus planos. Mongul também acaba sendo derrotado, mas pelas mãos de Hal Jordan, que enlouquece por conta da destruição de sua cidade. Mas essa é outra história.

Logo após seu retorno, Dr. Oculto – uma criação de Jerry Siegel e Joe Shuster, assim como o Superman -, surge e explica para Kal-El os detalhes de sua ressurreição. Ele explica que Superman não é imortal, e que a tecnologia que o trouxe de volta fora destruída.

A Morte e o Retorno do Superman foi um grande evento da cultura pop. A notícia repercutiu na televisão, em rádios e jornais da época – que nem veiculavam notícias de quadrinhos -, o que levou leitores e não-leitores às lojas. Alguns tentaram até lucrar a longo prazo com as histórias, comprando várias revistas para vender por milhares de dólares anos depois. Claro que isso não deu certo, mas ajudou a movimentar o mercado de quadrinhos em proporções astronômicas.

Superman não morreu apenas nas páginas dos quadrinhos. A história foi adaptada para diversas outras mídias, como o romance adolescente Superman: The Man of Steel, de Louise Simonson; e como um romance adulto intitulado The Death and Life of Superman, de Roger Stern. Em 1995, a história também ganhou um jogo de videogame para Super Nintendo. E, talvez, a adaptação mais famosa seja a animação A Morte do Superman (Superman: Doomsday, no original), que foi o primeiro longa de animação da DC, fora do DCAU.

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Para uma história que tinha começado por conta de uma interferência maior, o sucesso de toda a Morte do Superman foi de explodir a cabeça. O evento lançou novos heróis que continuam até hoje na mitologia da editora – Aço e Superboy -, pavimentou o Crepúsculo Esmeralda e o nascimento de Kyle Rayner como Lanterna e trouxe uma infinitade de novos leitores para o Superman e para o Universo DC. Todos os três arcos do evento são muito bem amarrados, não dando espaço para furos de roteiro – Mike Carlin, na época, ganhou o Eisner Awards de Melhor Editor – e o evento inteiro pode ser considerado como o mais organizado das histórias em quadrinhos.

  • André Ribeiro de Oliveira

    Excelente artigo! Parabéns!

  • Leonardo Mendes

    Rapaz, eu lembro perfeitamente dessa época… as histórias eram uma melhores que as outras.
    O funeral foi épico.

    Já de cara eu simpatizei com o Aço, de todos os pretensos Super-Homens ele era o mais comprometido com os ideais do herói.

  • Cansei de Ser Fake Oliveira

    Muito bom o artigo… acabei de assitir BATMAN VS SUPERMAN

  • Robert Bruce Banner

    Espero um bom retorno do superman para o filme da liga.

    • JOCILEN SILVA

      Como se bosta do zack snider não respeitou a o heroi ,o vilão e muito menos a saga,nos apresentou foi um superman ridiculo, kd a super velocidade ,o super sopro, sopro congelante, super audição, q ele nis apresentou foi bebê chorão sem atitudes so pra forçar um brigaridicula com o Batman pra ele ser hulmilhado e satifazer seu ego em ver sua gq preferida na tela por isso fora zack snider seu booooosta

  • O Homem do QI200

    Cara quando o Rebirth do Action Comics começou com o Doomsday e do Superman com o Erradicador, a nostalgia veio forte. Excelente artigo.

  • JOCILEN SILVA

    Ai vem o bosta do zack snider e detona com o superman e o doomsday e com uma saga incrivel que daria um otimo filme so pra favorecer o seu personagem favorito o batman nesse lixo de bvs nesse filme ridículo que so serviu pra mostrar q ele a warner e a dc nao gosta do personagem e não respeita seus fãs, fora zack snider seu bosta

  • Silvio Noboru Nagatomi

    Eu lembro que o Clark Kent foi dado como morto nos destroços da batalha do super com o Apocalipse… Mas não lembro qual foi a desculpa decomo ele voltou a vida.