50 anos de Barbara Gordon: como a personagem se tornou um dos maiores ícones da DC Comics

Em Deteticve Comics #359 (1967) o público conhecia a filha do Comissário de Polícia de Gotham City, Barbara Gordon. De lá pra cá, podemos afirmar sem dúvida alguma que Barbara foi uma das personagens que mais sofreu mudanças na história da DC Comics. Mas sempre esteve do lado dos mocinhos, seja como Batgirl (1967 a 1988), como Oráculo (1988 até 2011) e como Batgirl novamente (2011-).

A origem de Barbara mudou um pouco ao longo dos anos; na sua primeira aparição ela era filha do Comissário de Polícia James Gordon, trabalhava como bibliotecária e era uma versão jovem e feminina do Batman. Mas a personalidade da Batgirl fez com que ela tivesse cada vez mais espaço nos quadrinhos. Ela era uma personagem alegre, moderna, confiante e de personalidade forte.

A personagem ficou tão popular que teve diversas participações em outros títulos, e assim seguiu durante muitos anos – a mais memorável talvez tenha sido a parceria com a Supergirl. Mas em meados dos anos 1970, Barbara acabou revelando ao pai – que já havia descoberto há muito tempo – sua identidade de Batgirl e considerou abandonar a vida de vigilante. Mas os fãs não gostaram da ideia, e em respeito a isso ela manteve o manto e passou também a ser amiga de Clark Kent – mantendo participações regulares nas histórias do herói.

Mas o grande destaque veio com a criação da revista da Bat-família, que apesar de ter apenas 20 edições, transformou Barbara facilmente na estrela do título. Além de ficar mais próxima de Dick Grayson, ela também conheceu a Batwoman, com quem teve algumas aventuras juntas.

Contudo, se pensam que a fé da heroína sempre foi inabalável e que o primeiro tiro que ela levou foi em A Piada Mortal, estão enganados. Ainda nos anos 80, Barbara teve problemas com um dos vilões menores que ela enfrentava e acabou levando um tiro. A partir daí, veio um período de descrença. Ela até abandonou o manto por um tempo, mas a influência de Bruce Wayne acabou fazendo com que ela voltasse à vida de vigilante.

As demais histórias memoráveis da personagem ocorreram no pós-Crise, e sua origem não permaneceu intacta. Agora, Barbara era órfã e foi morar com os tios Jim e Bbrbara, que tinham um filho, James. Mas essa versão não durou muito. Numa tentativa de restabelecer a origem pré-Crise, foi adicionado à história o retcon de que Jim teve um caso com Thelma, mãe de Barbara, e por isso ele poderia ser pai biológico dela. Contudo, Batman e Robin foram os responsáveis por praticamente todo o treinamento da heroína.

E quando todos nós acreditávamos que a personagem não poderia ficar mais interessante, começam os eventos de Batman: A Piada Mortal. Na história de Alan Moore e Brian Bolland, basicamente, a heroína leva um tiro do Coringa como parte de um plano de vingança contra Jim Gordon e o Batman.

O tiro atingiu sua espinha e ela acabou paraplégica. A história – altamente polêmica e que durante anos atiçou discussões entre os fãs – nos rendeu a melhor e maior equipe feminina que o mundo dos quadrinhos já viu e Barbara acaba unindo todo o seu conhecimento ao criar o alter ego Oráculo, uma poderosa hacker que controla uma base de dados para a comunidade dos super-heróis.

Ser a responsável por trás da melhor fonte de informações que a comunidade heroica já teve não foi suficiente, e ela aperfeiçoa seus métodos de combate, para poder lutar na sua cadeira de rodas. Ela chegou a fazer parte da Liga da Justiça e auxiliou o Esquadrão Suicida antes de formar as Aves de Rapina. A criação da equipe feminina também fez com que Barbara estreitasse relações com Canário Negro e Caçadora.

Em alguns momentos memoráveis, tivemos o envolvimento de Barbara com o Besouro Azul Ted Kord e as divergências entre ela e Caçadora, que quase colocaram um fim nas aventuras das Aves. Barbara também foi mentora de Cassandra Cain, que posteriormente ocupou o manto de Batgirl.

Depois de anos como Oráculo, temos Barbara de volta como Batgirl n’Os Novos 52. A história de Gail Simone nos apresenta uma protagonista cheia de dúvidas, e temos de volta toda a genialidade de Barbara no combate ao crime.

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Após a fase de Gail Simone, os roteiristas fizeram algo totalmente original e que nunca havia sido considerado para a personagem: apresentar Barbara como ela é, uma adolescente. As histórias se tornam mais leves e tudo passou a ser mais descontraído, mantendo a qualidade das aventuras da personagem.

A história de Bárbara Gordon ultrapassou o mundo dos quadrinhos; ela esteve presente na série de TV do Batman dos anos 60, teve diversas participações nas animações da Bat-família – bem como no filme Batman & Robin (1997) e na obscura série de TV Birds Of Prey (2002). Dentre outras aparições, também a temos na franquia de jogos Arkham e Injustice.

Criada apenas como mais uma sidekick do Batman, a personalidade e o carisma da personagem lhe garantiu mais espaço e a tornou uma peça fundamental para o Universo DC. Barbara Gordon é tão importante para a mitologia da DC Comics que nem mesmo se cogita a possibilidade de deixar a personagem no limbo editorial. Hoje, a Editora das Lendas busca mais elementos e outras abordagens para uma personagem que não vive mais à sombra do Batman.